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Opinião
Terça - 13 de Setembro de 2011 às 09:02
Por: Fernanda Quevêdo

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Em uma época não muito distante, a principal forma de participação popular na construção de políticas  públicas era a modesta representação em audiência na câmara de vereadores. Hoje, os movimentos sociais têm pautado cada vez mais a construção de políticas sociais, de novos paradigmas e quebra de antigos, definição de conceitos e comportamento. Além disso, a população tem se movimentado literalmente, de forma cada vez mais incisiva pela internet. Que a sociedade tem se apropriado das ferramentas virtuais e tecnológicas para provocar transformações sociais é fato.

A periferia, obviamente não fica de fora e está ocupando maçivamente espaços de discussão e visibilidade. Aliás, a palavra “periferia” para designar espaços em desvatagem social, já há muito tempo, não é mais apropriada, pois a lógica “centro e periferia” mudou. A periferia, ou melhor, as pessoas que ali vivem, são responsáveis por uma série de transformações sociais, que pautam a música, as políticas sociais, e o mercado de consumo. É isso que acontece quando favelados se apropriam de tecnologias virtuais e as transformam em sociais, de forma que podem interagir diretamente com aqueles que elegeram como seus representantes, seja na política, na música e também com as marcas que consomem.

No âmbito da música por exemplo, um dos maiores fenômenos da música brega, a Banda Calypso “descobriu” que poderia circular suas músicas, logo depois de fazer o show. Eles investiram em aparatos tecnológicos que permitiam que o público saísse do show com o cd e/ou o dvd na mão. Com a mesma criatividade, a cantora Gaby Amarantos, do Pará, circula diversos vídeos no Youtube com as suas apresentações. Em 2011 ela se apresentou nas maiores casas de show de música independente de São Paulo, a Casa Fora do Eixo e no Studio SP. A cantora, também já esteve em programas globais como Faustão e Profissão Reporter. Estes são só mais algumas questões para serem analisadas antes de caracterizar algo ou alguém como periferia e não-periferia.

Além de modificarem o mercado da música, uma vez que vendem e se tornam famosos pela internet e no cenário independente, e não com o “apoio” de ricas gravadoras, assim como tantos outros rappers, swingueiros, funckeiros e pagodeiros, estas pessoas imprimem a nova identidade da música popular brasileira. Assim, começam a pautar programas de televisão e rádio. Na verdade, quando eles aparecem no Faustão, na MTV ou no programa da Eliana, eles já estão fazendo sucessão a um tempão.

Já no âmbito político, basta olhar como o  Marco Civil (http://culturadigital.br/marcocivil/), foi construído. A construção e implementação do documento aponta deveres e direitos dos cidadãos na internet, e é resultado de uma provocação de trabalhadores e ativistas (vários não acadêmicos)  no espaço virtual.  Esta provocação, estimulou a criação do Comitê Gestor da Internet no Brasil, formado por representantes do Estado, da comunidade acadêmica, do terceiro setor, e da iniciativa privada, que se reúne no próximo mês em São Paulo no I Forum da Internet no Brasil. Ver mais sobre o fórum no link: http://forumdainternet.cgi.br/

O Marco Civil foi apresentado, no dia 24/8, pela presidente da República, Dilma Rousseff, ao Congresso Nacional e um debate para ampliar as reflexões acerca das políticas sociais e tecnologia pode ser conferido no link http://www.vocsmultimidia.com.br/clientes/auditorioibirapuera/ . ”Música: A Fronteira do Futuro – Criatividade, Tecnologia e Políticas Públicas” contou com a presença do ex-ministro e músico Gilberto Gil, o professor e co-fundador do Creative Commons Lawrence Lessig, o diretor do Sesc São Paulo Danilo Miranda, Ronaldo Lemos da FGV-RJ, Cláudio Prado, da casa de cultura digital e os professores Ivana Bentes e Sérgio Amadeu.

Outro importante exemplo de ação tecnológica e colaborativa é o Creative Commons (CC) (http://www.creativecommons.org.br/), um projeto sem fins lucrativos que licencia obras intelectuais dos mais diversos setores. Fotos, textos, conteúdos de sites e blogs, aúdio, apostilas, e  etc. de outrem podem ser utilizados livremente, desde que a fonte seja citada, caracterizando um novo modelo de gestão de direitos autorais. Além da proteção do autor da obra, CC também permite que a obra possa ser complementada caso seja o desejo do autor. São flexíveis os tipos de licença.

Um dos exemplos mais bacanas de Licença CC é a utilizado pelo ex Ministro da Cultura, Gilberto Gil que disponibilizou suas músicas para distribuição gratuita, remix e sampling, ou seja, se você é musico, pode “pegar” uma musica do Gilberto Gil e adapta-la ao seu gosto ou ao de seu publico livremente. Um exemplo não bacana é o da atual Ministra da Cultura, Ana de Holanda, que retirou a licença do site do ministério, provocando uma série de atrasos nas políticas e diretrizes do ex ministro, e é claro uma avalanche de manifestações e proposição de novos debates.

Transformações acontecem quando a população se apropria de tecnologias sociais e também virtuais. Cabe a nós, enquanto comunicadores formados em academia ou não, abrir caminhos e pensar novas estratégias para que estas transformações sejam benéficas aos mais diversos setores da sociedade e que a cidadania e a democracia sejam a pauta de toda e qualquer movimentação social.



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