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Opinião
Sexta - 22 de Julho de 2011 às 13:52
Por: Dirceu Cardoso Gonçalves

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Voluntária ou, talvez, involuntariamente, mas com determinação, Dilma Rousseff vem cumprindo uma promessa feita ao eleitorado brasileiro há mais de meio século. Ao “varrer” para fora do governo os implicados nas irregularidades do Ministério dos Transportes, a presidenta, de certa forma, resgata o compromisso do ex-presidente Jânio Quadros, eleito em 1960, cujo mote de campanha era a vassoura e a música prometia varrer “a bandalheira”, porque “o povo já está cansado de sofrer dessa maneira”.
 
Jânio renunciou, segundo disse, devido às “forças ocultas”. Seus sucessores, por diferentes razões, também não tiveram como fazer a varrição por ele prometida. Mas agora, Dilma, com a autoridade decorrente de sua trajetória, começa a tão esperada “faxina”. Já demitiu dois ministros comprometidos (Antonio Palocci e Alfredo Nascimento) e mais de uma dezena de seus auxiliares, que também terão de responder judicialmente pelos atos cometidos. Isso empresta ao governo uma credibilidade há muito tempo não conhecida ou, pelo menos, não reconhecida pela população.
 
Diferente do seu antecessor e padrinho político, que preferiu o subterfúgio do “não sei” para não cumprir a sua obrigação de apurar e punir safadezas, Dilma está agindo exemplarmente ao demitir os implicados e entregá-los à apuração judicial. É preciso que essa prática, até agora sonhada mas não instalada nos escaninhos do poder, se torne rotina. Todos os ocupantes de cargos públicos ou pessoas e empresas que transacionam com o governo têm de agir com lisura e respeito. Aqueles que se desviarem, que sejam alijados do processo e compelidos a responder judicialmente pelos seus atos. Mais ainda: que toda denúncia seja apurada à exaustão e, concluídas as apurações, sejam punidos os responsáveis e, em caso de denúncia falsa, os denunciantes sejam responsabilizados e obrigados a promoverem as devidas reparações.
 
Num regime democrático, a participação do Congresso, das casas legislativas e dos partidos no processo político-administrativo é inevitável. Nos regimes parlamentaristas, os partidos formam coalizões e governam juntos. No presidencialismo, como o brasileiro, as coalisões são para o apoio legislativo. Mas não podem escravizar o governo a ponto de os indicados dos partidos cometerem irregularidades e não poderem ser punidos porque, nesse caso, o governo perde os votos partidários.
 
Somos de opinião que a presidente Dilma, agindo como nos últimos dias, terá a representatividade suficiente para encarar os aliados e promover os expurgos, quando necessários. A administração pública ésagrada. Carece de muito respeito, honra e determinação de seus executores. Não é lugar para corruptos ou quadrilheiros que, quando localizados, têm se ser alijados e entregues às autoridades competentes para processá-los e promover as reparações exigidas por cada caso. 
 
É assim que se passa o país a limpo...


Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)



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