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Opinião
Domingo - 12 de Junho de 2011 às 20:33
Por: Bruno Peron

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"La economía mundial es la más eficiente expresión del crimen organizado. Los organismos internacionales que controlan la moneda, el comercio y el crédito practican el terrorismo contra los países pobres, y contra los pobres de todos los países, con una frialdad profesional y una impunidad que humillan al mejor de los tira-bombas." Eduardo Galeano. Patas arriba.
 
Presencia-se uma coleção de fenômenos insensatos nesta Colônia Universal, o Brasil, onde mal se implantou o empreendimento comercial de "sushi house" e "temakeria" e logo a predileção tupinica passou a ser o de comer receitas japonesas.

O que mais assombra é o anúncio da folha branca e dobrável ao vento Dilma Rousseff de que acabará com a miséria no Brasil em três anos, algo em torno de 16 milhões de pessoas segundo dados oficiais. Pudera. Mas no que se converte este número?

Eis uma pista: comecemos pelo império dos bancos na Colônia Universal.

O Banco Mundial anunciou mais um empréstimo para combater a pobreza no Brasil. O valor deste investimento oscila entre 5 e 6 bilhões de dólares nos próximos doze meses. Com isso, Rousseff nos transformará naquilo que seu antecessor tergiversou a título de "ascensão social", "aumento de créditos" ou "auto-suficiência em petróleo": consumidores endividados.

A moda é canalizar empréstimos para "países pobres" ou "países em desenvolvimento". Daí resulta que se indique o mexicano Agustín Carstens em disputa com a francesa Christine Lagarde para compor a diretoria do fatídico e imprestável Fundo Monetário Internacional.

Os bancos são antros anti-éticos e corruptores do bem-estar no Brasil. Brincam com nossa informação cadastral como cartas de baralho que passam de mão em mão. Aqui se abre uma conta e não tarda muito para que sejamos vitimados pelas correspondências de American Express ou Credicard, bacanal que nunca autorizamos, mas nos roubam a privacidade.

A Petrobrás, por sua vez e pelo andamento da carruagem, reiterou-se como uma vergonha nacional, empresa desprezível e mesquinha, opressora do nosso povo, vulnerável a fechamento total ou encampação, fruto de investidores gananciosos e covardes, prova do comodismo de nossa gente a ponto de ceder nossos recursos energéticos ao mercado de ações. Por isso apoio a criação de outra empresa, verdadeiramente estatal e internamente comprometida, para substituir a moribunda Petrobrás e isolá-la em sua atividade exportadora.

Os preços dos combustíveis não foram os únicos que subiram. Os alimentos também se sujeitaram à lei de oferta e procura, mas poucos tomadores de decisão sensibilizam-se de que os pobres chegam a gastar até 60% da renda em alimentação ou de que a Petrobrás deveria garantir-nos abastecimento a preço baixo por ter sido idealizada como empresa estatal.

Como se os pobres importassem muito neste país aos "mercado-maníacos" e outros tomadores de decisão lacaios, o ônus das explosões criminosas em caixas eletrônicos no Sudeste se transferiu dos bancos à população. O reles Banco Central do Brasil recomendou que não se aceitem as notas tingidas de vermelho nas trocas comerciais e se as devolvam aos bancos. Contudo, estes não se obrigam a restituir as notas. Portanto, o prejuízo é de quem age honestamente e as devolve. Indivíduos de todo nível econômico sofrerão perdas.

A instrução sobre o procedimento de devolução das cédulas percorre a imprensa e se alardeia sobretudo na golpista TV Globo, que tenta derrubar o prefeito de Campinas Hélio de Oliveira Santos por motivo quiçá justo, mas omite que qualquer administração pública municipal padece de malversação de dinheiro público e troca de favores, intrínseca no sistema eleitoral tupinica.

A TV Globo preparou o terreno previamente ao anúncio do "escândalo". As reportagens da EPTV-Campinas focavam a falta de eficiência do governo e o não-atendimento à demanda da população, como a demora na reposição de pontes erodidas ou no corte de mato em terrenos.

A causa é digna. Também sou contra a corrupção. Mas, enquanto não se muda a cultura política de nossa gente e não se regulamenta o financiamento privado de campanha, a TV Globo (e o povo por tabela) colocaria outro prefeito em Campinas (mais alinhado aos interesses dos meios hegemônicos de comunicação) que seria igualmente "escandaloso", como qualquer tucano vende-pátria,  mas divulgado apenas como um leve "desvio".

O primeiro favor que fazemos aos nossos cérebros, por conseguinte, é manter o televisor desligado e dedicar-nos a outras atividades, visto que boa parte do que se transmite nele é um produto cultural de finalidade comercial. Quase toda programação nos incentiva a comprar o carro do ano e beber mais cerveja. No menor descuido, enfiamos a vida no rabo.

Rádios comerciais, como a deplorável Jovem Pan, interrompem a música para declarar que uma atriz de Los Angeles tem risco de morte, enquanto Dilma Rousseff nos lembra de que somos dezesseis milhões de miseráveis no Brasil, que gastam mais da metade do salário só para não morrer de fome.
Queremos o país do "salve-se quem puder" ou aquele onde depositamos alguns tijolos como seres dignos e semeadores do bem?

Pensemos nesta geração e nas subsequentes, que não merecem o rebotalho que geramos.
Fechemos o cerco do que reprovamos no país e no mundo antes de que se condenem outros países que o Egito e a Líbia pelo capital especulativo somente este ano.



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