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Opinião
Terça - 18 de Janeiro de 2011 às 08:53
Por: Alexandre Garcia

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A presidente Dilma, ao visitar a anual tragédia das chuvas, mostrou que sabe tanto quanto nós. Disse que a construção ilegal, no Brasil, é regra e não exceção. Os que têm obrigação de cumprir a lei, sob pena de serem enquadrados no crime de responsabilidade, nada fazem. E se algum prefeito mais cônscio de suas obrigações resolve proibir a ocupação de alguma área de proteção ambiental ou retirar invasores de área de risco, sempre aparecerá algum vereador a defender seus votos ou interesses imobiliários e impedir que isso aconteça. Na capital do Brasil são milhares de invasões de terras da União, por gente pobre e gente rica e legalizam depois. Os que seguem a lei, comprando o terreno legal e pagando IPTU, ficam com a certeza de que no Brasil o certo é errado.

No Rio, uma escola que desligou três alunos de uma excursão, porque fumavam maconha, foi considerada autoritária. Semana passada, as câmeras da TV Globo mostraram estudantes fumando maconha e bebendo álcool na Universidade de Brasília. A reação no twitter foi considerar a reportagem fascista. Numa escola da zona norte do Rio, a aluna foi flagrada colando. A mãe foi chamada. A diretora mostrou-lhe a cola com a letra da menina e a fita onde estava tudo gravado. A mãe reagiu: "É só por isso que me chamaram aqui?" Sim, e para saber que a filha dela, com a nota zero, havia ficado em recuperação. "Vou procurar meu advogado", reagiu a mãe. Na escola, o certo é errado.

O deputado suplente Pedro Novais foi escolhido ministro do Turismo. Antes que ele tomasse posse, descobriu-se que levara alguns casais para o melhor motel do Maranhão e a conta da noitada foi cobrada do nosso bolso: ele apresentou as notas como despesas reembolsáveis à Câmara Federal. Só as retirou depois de denunciado. Mas ainda assim tomou posse como ministro. Governos autoritários ou ditatoriais, como os de Cuba, Irã e Venezuela, são nossos amigos preferenciais. Na política, interna e externa, o que se pensa ser errado, é o certo.

Mas quem se importa em diferenciar o certo do errado? Já começaram os campeonatos estaduais de futebol; Ronaldo virou capitão do Corinthians (mesmo com barriga de sargento Garcia); Ronaldinho já virou torcedor do Flamengo desde quando tinha dentes-de-leite; depois de estar perdendo de 2 a zero, o Lajeadense empatou com o Grêmio no Olímpico; a Amy Winehouse já fez o show de despedida do Brasil; preparam-se o Carnaval e a Copa do Mundo. E em breve estarão esquecidas as 700 vítimas das chuvas deste ano. Ano que vem haverá mais choro, porque haverá mais ocupações de áreas de risco, se não separarmos o certo do errado.


Alexandre Garcia
é jornalista em Brasília e escreve em A Gazeta às terças-feiras. E-mail: alexgar@terra.com.br



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