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Opinião
Quarta - 15 de Dezembro de 2010 às 00:05
Por: Dirceu Cardoso Gonçalves

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A ficção parece atropelar a realidade. A reação dos hackers à prisão do idealizador e operador do site WikiLeaks (aquele que divulgou documentos constrangedores da diplomacia norte-americana e de outros países, inclusive do Brasil) parece ter saído dos filmes de alta geração, rodados com a mais alta tecnologia e deslumbrantes efeitos especiais, sobre inteligência artificial e esquemas onde a máquina subjuga o homem. Como represália aos perseguidores do fofoqueiro cibernético, os piratas invadem e tiram do ar páginas de governos, bancos e outras instituições implicadas no caso. Uma reação, até bem pouco tempo, vista exclusivamente como ficção cinematográfica.

Durante as últimas seis décadas, o computador constituiu-se no elemento tecnológico que mais se desenvolveu no âmbito da sociedade industrial. O ENIAC (Electrical Numerical Integrator and Calculator), lançado em fevereiro de 1946, era uma engenhoca de 30 toneladas que ocupava 180 m2 de área. Destacou-se por executar 5 mil operações por segundo, isto é, mil vezes mais do que os sistemas até então disponíveis. Mas, comparados à tecnologia de hoje, sua capacidade não é maior do que a de uma simples calculadora de bolso.

Os computadores atuais são diminutos e estão em toda parte. Todos os processos de controle e de atividade repetitiva antes executados manualmente, hoje são computadorizados. Desde a mais sofisticada indústria, as forças armadas, as repartições governamentais, o comércio, a escola e até os lares. E – mais importante que essa capilaridade – é que, para o sistema funcionar, a cultura cibernético-digital é acessível a toda a população, nos seus diferentes graus e níveis de interesse e aplicação.

A reação ao episódio WikiLeaks é apenas um detalhe. Demonstra que, ao informatizar os processos, os governos, corporações e até a comunidade científica digital priorizaram investimentos nos resultados e subestimaram a importância da     segurança em todos os seus sentidos. Daí, hackers invadirem bancos, paginas oficiais, grandes empresas e, além de provocar o colapso dos sistemas e serviços, ainda poderem roubar dinheiro, segredos industriais e até registros da intimidade de governos, empresas e pessoas. Tudo isso sem precisarem comparecer fisicamente aos bancos de dados ou aos cofres bancários. A tecnologia e falta de cuidados criaram o cibercriminoso, que ainda está correndo solto, sem qualquer amarra ou controle eficiente.

Diferente do que se podia imaginar, já chegamos ao tempo em que o computador e suas aplicações são os verdadeiros donos do mundo. Por eles passam todos os interesses, a economia, a política, a comunicação e a segurança dos povos. Logo, a 3ª Guerra Mundial – se ocorrer – certamente será travada no âmbito da cibernética. O sistema, usado para fins bélicos, pode ser capaz de estabelecer o colapso, causar mortes e, de quebra, ainda movimentar aviões, tanques e outros instrumentos de guerra,  tradicionalmente operados pelo homem e com a sua presença e força física.

Isso não é uma ameaça. É a realidade, que precisa ser exaustivamente estudada e direcionada para a paz...


Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

aspomilpm@terra.com.br



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