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Opinião
Quarta - 01 de Setembro de 2010 às 00:57
Por: Lourembergue Alves

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Dificilmente o PSDB vencerá a disputa pela presidência da República deste ano. Até o fato novo, que poderia mexer com o jogo, parece difícil de acontecer. Já se tentou, e nada. Tudo indica que essa briga é mesmo favas contadas. A única questão a se fazer agora, talvez seja: “onde a oposição errou?”

Indagação de fácil resposta. Bem mais do que encontrar o acerto. Pois, pelo jeito, tudo que os tucanos fizeram, e continua a fazer são desacertos. Um atrás do outro. O único momento de lucidez foi o discurso do José Serra ao anunciar oficialmente sua candidatura, em Brasília. De lá para cá, seu trem saiu do trilho, bateu no muro e perdeu a direção. 

“Isso tudo era esperado”, balbucia o tucano militante. Se já esperava, por que não se tentou mudar os rumos trilhados? “Muitas tentativas ocorreram. Acontece, porém, que é grande a força política do presidente Lula”, responderia de imediato um ou outro cacique peessedebista.

Não se exagera quando se refere ao poderio eleitoral do petista-presidente. Equivoca-se, entretanto, ao atribuir somente a ele a queda vertiginosa do tucano. Pois perde uma eleição quem erra mais, e os desacertos são tantos, que dificilmente se tem espaço suficiente para enumerar a todos. Alguns, no entanto, são necessários que se digam, tais como a demora da escolha do candidato a vice e a aquela briga interna, que envolveram as duas maiores expressões peessedebistas. E para completar a trilogia da desorganização, ainda se tentou trocar “José por Zé”. Opção desastrada. Aliás, o Dr. Ulisses Guimarães sempre dizia, “um político chamado por um nome pela mulher e conhecido pela população por outro não tem futuro”. 

Desencontros, desacertos e mancadas são características fortes da então campanha da oposição. Tanto que a petista subtrai votos do seu concorrente. Daí a queda desenfreada deste, cuja infelicidade se agrava com o carro empacado da senadora Marina Silva. Justificam-se, então, o crescimento nas pesquisas da ex-ministra e candidata, de 5% para 20%, em apenas um mês de campanha.   

Hoje se percebe a astúcia do presidente Lula quando forçou a retirada da candidatura Ciro Gomes (PSB). Foi providencial, embora um tanto maquiavélica, com todo respeito ao autor de “O Príncipe”, que nada tinha de maquiavélico. O importante é perceber que no jogo político-eleitoral, a maior raposa toma conta do cenário e sai em vantagem. O ex-metalúrgico deu mostra disso. Até mesmo ao agredir as regras e as normas e se valer da máquina, além de debochar da Justiça Eleitoral. O patrolamento do socialista, então, foi fichinha perto do que Sua Excelência fez, faz e fará pela vitória de sua candidata, inexperiente e despreparada para o cargo mais alto do Estado brasileiro. 

Independentemente disso, e, certamente mais desconcertantes, são as atrapalhadas da campanha do ex-governador paulista. Este se esqueceu da sensatez, do equilíbrio e da sabedoria. Navega sem rumo, ou deixa-se levar por mãos desavisadas e poucas dadas às coisas do tablado da política. 

Assim, suas virtudes se perderam no nada, da mesma forma que deixaram de aparecer os predicados do governo FHC. Sua coordenação de campanha preferiu trazer a figura do atual presidente do país, o que embaralhou a “cabeça do eleitor”, ao invés de tentar seduzi-lo com projetos e programas. Tão necessários. Porém, em falta na botija de sua oponente petista. 

 O jogo, desse modo, caminha para “um desfecho estranho”, diz o membro da “Juventude Tucana”. O estranho, certamente, é a desorganização da oposição, que teima em fazer o percurso atabalhoadamente, sem brilho e despida de qualquer racionalidade, pior ainda sem emoção alguma. Assim, dificilmente, conseguirá conquistar o eleitorado.       
  

Lourembergue Alves
é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br.  


Autor

Lourembergue Alves

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e articulista

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