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Opinião
Sábado - 21 de Agosto de 2010 às 08:04
Por: Dirceu Cardoso Gonçalves

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O Brasil vive a contradição de possuir milhares de vagas no mercado de trabalho e não conseguir preenchê-las, por falta de capacitação dos candidatos. As empresas não encontram os profissionais que necessitam e os trabalhadores não conseguem a colocação desejada. Governo e sociedade precisam trabalhar firme e urgentemente para eliminar esse desencontro. Temos de oferecer condições de ensino e treinamento para o trabalhador ficar à altura dos desafios lançados pelo mercado.

A principal proposta neste sentido é abrir as empresas para o aprendiz. Além das instituições tradicionais da área – Senai, Sesi, colégios industriais e outras – as próprias empresas poderão montar suas escolas que absorvam os jovens e os treinem para atender suas necessidades futuras. O aluno poderia freqüentar a escola regular num período e ir ao curso profissionalizante, na própria escola ou na empresa, no outro período do dia. Evidente que, para manter a escola, as empresas têm de gozar de incentivos que vão desde a desoneração fiscal até, se necessário, o aporte de recursos do Tesouro. Afinal, além de suas atividades produtivas e mercantis, também estarão produzindo ensino, e têm de ser remuneradas para tanto.

O desenvolvimento brasileiro ocorreu de maneira rápida e desorganizada. As primeiras indústrias datam do início do século passado e eram, na maioria das vezes, rudimentares. Nos anos 40, a chegada da siderúrgica, abriu novas possibilidades e, a partir da segunda metade da década de 50, sob o empuxo de Juscelino Kubistchek, entramos para a era tecnológica. Vieram a indústria automobilística, os projetos hidrelétricos, químicos e mais recentemente a informática, que atualmente dá o tom a toda a atividade econômica.

Toda a revolução tecnológica e industrial, no entanto, não foi acompanhada pelo ensino, que continuou antigo e – em muitos casos – perdeu em qualidade no momento em que buscou produzir quantidade. O resultado está no duplo prejuízo de as empresas padecerem pela falta de mão-de-obra ao mesmo tempo em que trabalhadores padecem pela falta de colocação.

Temos hoje o Brasil avançado e tecnologicamente comparativo com os grandes centros mundiais. Mas, infelizmente, não temos a mão-de-obra capaz de suprir esse mercado de trabalho. Mesmo assim, somos a oitava economia do mundo e tendemos a ocupar posição ainda melhor no ranking econômico mundial. Se conseguirmos compatibilizar o ensino com as necessidades do mercado, criaremos condições para que o nosso parque produtivo se torne ainda mais eficiente e, como residual, estaremos promovendo um grande salto de qualidade na condição de vida da população.

Não adianta só produzir. Temos de distribuir ao povo o resultado da produção. A distribuição através da Educação, sem dúvida, é a mais justa e eficiente para a construção de um grande futuro para a nação. Ela dá a oportunidade de trabalho e livra os jovens das drogas, dos vícios, das frustrações e de outras tentações...

 
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)
aspomilpm@terra.com.br 



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