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Opinião
Sexta - 20 de Agosto de 2010 às 18:18
Por: Mario Eugenio Saturno

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Acompanho política desde os 11 anos de idade - já faz algum tempo- e, depois de toda a luta pelo restabelecimento da democracia e da liberdade de opinião e expressão, fico assustado com as eleições deste ano no Brasil. Lula vai eleger sua candidata sem discussão, também em São Paulo, onde voto, o ex-governador do PSDB também vai vencer fácil, como outros pelo Brasil, assim, assim, sem exigências de propostas ou compromissos.

Para mim, o mais surpreendente é ver a aprovação do Lula, que foi eleito para mudar mas continuou os programas do FHC, seja o econômico, seja o social. Também lembro das acusações que o Lula fazia. E, depois de oito anos, fico na dúvida, não eram verdades? Por que nada foi apurado? Isso me revolta! Por isso fui oposição! Por isso sou oposição! E apesar de decepcionado, não deixo de refletir e compartilhar com o leitor. Em primeiro lugar, temos que eleger quem esteja comprometido com a liberdade que conquistamos e com as leis que restringem políticos pilantras. E, mais até, quero que o Legislativo divulgue também nomes e salários de seus assessores. Por que dificultam a divulgação?

O eleitor não pode aceitar somente as promessas, cheias de intenções, vazias de conteúdo. Eleição não tem espaço para apatia e não é escolha de "miss/mr. simpatia". Há candidato que nem proposta faz. E como pode, conforme as pesquisas indicam, gente formada não exigir dos candidatos nenhuma proposta?

Todo mundo que trabalha e tem casa tem noção de renda, gastos, investimentos, compras, financiamento, juros, educação e emprego. Conhece a dificuldade para se conseguir um bom emprego e adquirir um apartamento. Sabe perfeitamente dos impostos que paga: IPTU, imposto de renda, ICMS... A maioria tem dívidas, paga um juro caríssimo. Então por que a pressa em decidir o voto? O que esses candidatos farão com os impostos e juros?

O eleitor também tem que estar atento aos artifícios usados para comparar governos. Governantes expertos escolhem índices convenientes ou fazem comparações com governos anteriores usando números absolutos não atualizando distorções, como o aumento da população ou da inflação, nem considerando o contexto mundial. O eleitor tem que se comportar como se o candidato fosse um carro usado oferecido por vendedores expertos (marqueteiros caros). Deve verificar tudo, a começar pela procedência, vasculhar a lataria e a pintura. E ver se o motor é tudo isso mesmo, ver o passado, o quanto fez e rendeu para a comunidade.

Na minha opinião, é o Horário Eleitoral Gratuito que garante alguma igualdade de oportunidade já que, se tivessem que pagar como nos Estados Unidos da América, a maioria dos partidos não teria campanha em Rádio e Televisão. Tem que assistir. E também as entrevistas e debates. Precisamos abolir a ignorância e a má-vontade para construir um país melhor e mais democrático.

Mario Eugenio Saturno, de Bariloche - Argentina, é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor universitário e congregado mariano. (mariosaturno@uol.com.br)



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