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Nacional
Sexta - 14 de Janeiro de 2011 às 18:06

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Desde a manhã de quarta-feira (12), o movimento no Cemitério Municipal Carlinda Berlim, em Teresópolis, é grande, após a chuva que causou mais de 500 mortes na região serrana do Rio. Os corpos chegam em carros de funerárias e caminhões que transportam vários caixões juntos. Além dos 23 empregados, dez voluntários trabalham para dar conta do alto número de enterros --apenas na quarta foram 93, enquanto a média normal é de 8 a 13 por mês.

O gerente de vendas Celso Mendes, 51, aguardava a chegada do corpo de Natasha Siqueira, 13, filha do amigo João Paulo Siqueira da Costa, dono de uma loja de construção.

Costa, a mulher e duas filhas --a mais nova de seis anos-- foram levados pela correnteza que invadiu a mansão de dois andares no bairro Campo Grande. A casa foi uma das poucas que ficou de pé na região.

Às 3h30 de quarta, ele ligou para o sócio para avisar que a água tinha invadido o segundo andar da casa. Foi orientado a subir no telhado. Após esse contato, o telefone perdeu o sinal. O corpo de Costa e da mulher foram enterrados na quarta. A filha de 6 anos ainda não foi localizada.

O corpo de Mara Lúcia Brandão Braz, 38, também foi enterro nesta sexta. Ela é mulher do bombeiro Isaac Brandão, 42, cujo corpo foi enterrado na quarta. Toda a família --o casal e dois filhos-- morreram na tragédia.

A aposentada Judite Mendes, 87, também foi enterrada no local. Ela e o marido de 96 moravam na casa da filha em Barra do Imbuí. O cômodo em que ela dormia sozinha foi soterrado pela queda de uma barreira. Idenildo Machado dos Santos, 70, diz que para encontrar o corpo, localizado na quinta-feira, foi preciso retirar terra que daria para lotar dez caminhões.

MORTOS

Chega a 539 o número de mortes na região serrana desde a chuva da última terça (11). As mortes são registradas em Nova Friburgo (246), Teresópolis (229), Petrópolis (41), Sumidouro (19) e São José do Vale do Rio Preto (4). Há pessoas desalojadas --foram para casa de amigos e familiares-- e desabrigadas --ou seja dependem de abrigos públicos.

O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), afirmou hoje haverá o momento de se fazer "autocrítica" e "avaliação" sobre a tragédia na região serrana. Mas, para ele, este não é o momento.

"A hora é de arregaçar as mangas e ajudar a essas famílias. É máquina, bombeiros trabalhando. Sempre tem a hora de fazer avaliação. Tem que se fazer uma autocrítica, por que se permitiu fazer tudo isso. Mas agora é resgatar corpos e ajudar famílias desabrigadas. Não vamos perder tempo nesse momento", disse o governador, em visita ao bairro Caleme, em Teresópolis, um dos mais atingidos por deslizamentos e cheias de rios.






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