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Economia
Quarta - 08 de Dezembro de 2010 às 20:31

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O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu, por unanimidade, manter novamente a taxa básica de juros em 10,75% ao ano. Essa foi a última reunião do Copom no governo Lula e sob o comando de Henrique Meirelles, que deixa a presidência do BC no fim do mês.

Entre os que participaram da reunião está o atual diretor de Normas e futuro presidente do BC no governo Dilma Rousseff, Alexandre Tombini.

"Avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 10,75% a.a., sem viés", informou o comitê, em nota.

"Diante de um cenário prospectivo menos favorável do que o observado na última reunião, mas tendo em vista que, devido às condições de crédito e liquidez, o Banco Central introduziu recentemente medidas macroprudenciais, prevaleceu o entendimento entre os membros do Comitê de que será necessário tempo adicional para melhor aferir os efeitos dessas iniciativas sobre as condições monetárias. Nesse sentido, o Comitê entendeu não ser oportuno reavaliar a estratégia de política monetária nesta reunião e irá acompanhar atentamente a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária".

A decisão foi criticada pela indústria e por representantes sindicais. O comércio se dividiu em relação à manutenção.

A maioria dos economistas já esperava a manutenção dos juros. A aposta do mercado financeiro é que a taxa básica voltará a subir na próxima reunião do Copom, no dia 19 de janeiro. Os economistas esperam ainda mais dois aumentos, em março e abril, elevando a taxa para 12,25%. Os juros só voltariam a cair em 2012.

O BC já sinalizou que, como a crise do PanAmericano foi resolvida sem causar impacto no mercado de crédito, haveria espaço para voltar a subir os juros.

Além disso, novos números divulgados sobre a inflação mostraram que o índice oficial de preços (IPCA) está cada vez mais distante do centro da meta de 4,5%.

A manutenção dos juros deixa o Brasil no topo do ranking das maiores taxas do mundo. Isso contribui para atrair mais dólares para o país e derrubar a cotação da moeda. 

CRÉDITO

A taxa básica determina o custo do dinheiro para os bancos e, por isso, serve de base para os juros dos empréstimos a empresas e consumidores, cuja taxa média está hoje em 35% ao ano.

A Selic é também um dos principais instrumentos que o BC tem para tentar controlar o ritmo de crescimento da economia e a inflação.

Na semana passada, o governo anunciou uma série de medidas para evitar uma disparada nos índices de preços no próximo ano.

Além de retirar R$ 61 bilhões da economia com o aumento do compulsório (dinheiro dos bancos que fica depositado no BC), a instituição impôs restrições aos financiamentos acima de 24 meses.

HISTÓRICO

No início do primeiro governo Lula, em 2003, os juros estavam em 25% ao ano. Meirelles estreou no Copom elevando a taxa, que chegou a 26,5% ainda naquele ano.

Em 2004, os juros já haviam caído para 16%; durante a crise de 2009, chegaram a 8,75%, menor patamar desde a criação do Copom, em 1999.

Se Meirelles elevasse os juros nessa reunião, quebraria uma regra que foi seguida nos últimos oito anos: o BC nunca promoveu dois ciclos seguidos de aumento da Selic. Sempre que a taxa subiu, ficou estável por um período para depois ser reduzida.

INFLAÇÃO

De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira, o índice oficial de inflação do governo, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), acelerou e registrou alta de 0,83% em novembro, contra variação de 0,75% em outubro, informou nesta quarta-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). É o maior índice mensal desde abril de 2005 (0,87%).

Já em novembro de 2009, a inflação havia sido de 0,41%. Nos últimos 12 meses encerrados em novembro, o IPCA acumula alta de 5,63%, ficando acima do centro da meta (4,5%) estipulada pelo governo federal. De janeiro a novembro, o índice soma variação positiva de 5,25%.

Na sexta-feira (3), o Banco Central anunciou uma série de medidas para reduzir o ritmo de aumento do crédito e intensificar o processo de desaceleração da economia, a fim de evitar o aumento da inflação.

O último boletim Focus divulgado pela autoridade monetária mostrou que o mercado elevou a previsão para o IPCA neste ano pela 12ª semana consecutiva, passando de 5,72% para 5,78%.






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