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Nacional
Quinta - 18 de Novembro de 2010 às 07:50

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O promotor de Justiça do Distrito Federal Maurício Miranda pediu nesta quarta-feira (17) o afastamento da 8ª Delegacia de Polícia das investigações do assassinato do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, da mulher dele, Maria Villela, e da empregada do casal, Francisca Nascimento da Silva.

Na avaliação do promotor, a delegada responsável pela 8ª DP, Débora Menezes, desrespeitou normas processuais. O promotor ainda afirma ter “prova da participação” de Adriana Villela, filha do casal, no crime. Adriana foi indiciada pela Justiça por participação nas mortes, que aconteceram em agosto de 2009. Ela nega as acusações.

A delegada Débora Menezes assumiu parte do caso quando descobriu o suposto envolvimento do ex-porteiro do prédio do ministro, Leonardo Campos Alves, que confessou a autoria do crime. Alves foi preso em Minas Gerais na segunda-feira (15) e trazido nesta quarta para Brasília. Além da 8ª DP, o  caso também é investigado pela Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida). Segundo o promotor, a delegada desrespeitou a “delegacia de origem”.

“Nós temos a prova da participação da Adriana e estamos atrás dos executores que colaboraram com ela. Como está surgindo essa nova linha de investigação, ela tem que ser exaurida, mas não por outra delegacia que não seja a Corvida”, disse Miranda.

Na noite desta quarta, Débora Menezes afirmou que ainda não foi notificada do pedido feito pelo Ministério Público. “O diretor geral [de polícia] sabia e consentiu minha investigação”, disse a delegada. Ela também afirmou que Adriana não teve participação no crime. “A participação da Adriana Villela, segundo eles [Leonardo e o sobrinho, também preso por participação no crime] é nenhuma”. No depoimento, o ex-porteiro negou a participação da filha do casal no homicídio", afirmou a delegada.

O advogado de Adriana, Rodrigo Alencastro, disse que acredita na exclusão da ação contra a filha do casal. Mesmo indiciada, Adriana se disse “aliviada” com a prisão do assassino confesso do casal Villela. “Estou esperançosa de que a verdade venha finalmente à tona”, disse a filha do casal ao sair da delegacia nesta quarta, onde foi fazer o reconhecimento das jóias da família que foram roubadas durante o crime. Adriana reconheceu um pingente de ouro que pertencia a sua mãe, e que foi encontrado com o ex-porteiro que assumiu a autoria dos crimes.

Interrogatório

Leonardo Alves foi interrogado nesta quarta-feira durante mais de nove horas pela polícia. Segundo ele, o crime foi cometido por ele ter sido"destratado" pelo ex-ministro ao pedir emprego a ele. Antes, ele já havia dado entrevista falando sobre os motivos que o levaram a matar o casal Villela e a empregada da família. Para o promotor, contudo, a veracidade do depoimento é questionável.

“Não tem nenhuma coerência com aquilo [...] que nós sabemos o que aconteceu. Parece que é outra história, de outro homicídio que aconteceu em outro local, menos o crime da 113”, afirmou o promotor.

Depoimentos

O G1 também teve acesso aos depoimentos prestados à polícia pelo comerciante que teria recebido os dólares de Leonardo Alves e do ourives que comprou as jóias vendidas pelo ex-porteiro. As jóias e os dólares foram roubados do apartamento do casal Villela na noite do crime. Segundo o comerciante, o ex-porteiro comprou cerca de sete celulares em três visitas que fez a sua loja. O comerciante disse que o pagamento foi feito em dólares. Segundo ele, Alves se dizia vendedor ambulante.

Já o ourives afirmou à polícia que conhece Alves há pelo 3 anos, e que o ex-porteiro não teria justificado a origem das jóias que estaria vendendo. Só no final de 2009, após o crime em Brasília, Leonardo vendeu os anéis e pulseiras por R$ 4 mil. O pingente que foi reconhecido por Adriana teria sido doado por Alves. Os dois depoimentos foram colhidos pela polícia em Montes Claros (MG), cidade onde moram o ourives e o comerciante.






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