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Policia MT
Quarta - 17 de Novembro de 2010 às 07:51
Por: Joanice de Deus

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A apreensão de 177,2 quilos de cloridrato de cocaína, que consiste na droga em forma de sal ou pó, chamou a atenção das autoridades de Segurança Pública de Mato Grosso por evidenciar uma nova rota do tráfico internacional de drogas. A polícia investiga se a introdução do entorpecente no país estaria ligada às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as chamadas Farc.

“É um tipo de droga que não temos históricos em Mato Grosso. Isso pode significar uma nova rota e, se for confirmado que é de outro país (Colômbia), inclusive com participação das Farc, é um fato que deve ser investigado”, disse ontem o secretário de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Diógenes Curado, destacando que a cocaína consumida ou que passa pelo Estado vem principalmente do território boliviano e em forma de base.

O cloridrato de cocaína, que pode ser injetado na corrente sanguínea ou aspirado, foi apreendido pelo Grupo Especial de Segurança de Fronteira (Gefron) na madruga da última segunda-feira, no posto fixo do Limão, localizado na BR-070, entrada e saída do Brasil para Bolívia.

A ação fez parte da 6ª edição da Operação Cadeado, realizada em parceria com o Exército Brasileiro e outras 30 instituições federais, estaduais e municipais. Conforme informações da assessoria de imprensa da Sejusp, o produto foi encontrado no assoalho da caçamba da caminhonete modelo Mazda, do Equador.

O veículo estava ocupado pelos equatorianos José Luis Zambrano Escalante e Lipsi Felícia de Zambrano, ambos de 29 anos. O casal levava ainda a filha menor de idade. O equatoriano contou que quatro integrantes das Farc estavam lhe dando escolta, desde a divisa do Equador com Peru até a cidade de San Matias, na Bolívia.

Ele disse ainda que na cidade boliviana se encontraria, em um hotel, com um homem e receberia US$ 3 mil, que deveriam ser levados para Guaiaquil, no Equador. Esta foi a maior apreensão feita pelo Gefron desde sua criação, há oito anos.

À polícia, o equatoriano disse que a droga seria levada para os grandes centros do país. No Brasil, o consumo da cocaína boliviana é maior por ser mais barata. A cocaína colombiana, bem mais refinada e mais cara, é remetida à Europa ou aos Estados Unidos, onde pode ser vendida em dólares ou euros.

A Operação Cadeado começou no dia 6 e se encerrou no último dia 15, abrangendo os 983 quilômetros de fronteiras seca e alagada que separam o Brasil da Bolívia. De acordo com o comandante da 13ª Brigada de Infantaria Motorizada, general Marcos Antônio Amaro dos Santos, o objetivo foi reprimir e prevenir os delitos na área de fronteira.

Isso, segundo ele, foi alcançado. “Toda a fronteira ficou vigiada e as entradas bloqueadas foram pelas diversas atividades da tropa na região. Existiu a redução da criminalidade e das ocorrências”, destacou. O trabalho contou com a atuação de 765 homens do Exército, corporação que também prestou atendimentos médicos e odontológicos às comunidades mais desassistidas.

Curado observou que o trabalho de integração com o Exército Brasileiro e outras 30 instituições na fronteira faz parte do planejamento na área de segurança pública visando a Copa de 2014. Já o general Amaro citou que o Exército está elaborando um projeto de monitoramento na região que deverá começar funcionar nos próximos quatro ou cinco anos.






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