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Internacional
Domingo - 25 de Agosto de 2013 às 07:36

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O regime sírio e os rebeldes se acusavam mutuamente no sábado (24) pelo emprego de armas químicas em um ataque na quarta-feira contra os subúrbios de Damasco, em meio à crescente pressão internacional por uma intervenção militar no país.


 
O ministro sírio da Informação, Omrane al-Zohbi, garantiu no sábado que Damasco "jamais utilizou armas químicas", rejeitando as acusações da oposição armada.


 
"Jamais utilizamos armas químicas na Síria, sob qualquer forma, líquida ou gaz", disse Al-Zohbi em entrevista ao canal de televisão Al-Mayadine, baseado em Beirute.


 
"O Exército sírio não precisa utilizar armas químicas. Seu moral está elevado e realiza progressos diante do terrorismo. Nossas tropas avançam e os terroristas estão acuados", afirmou o ministro.


 
O chefe da diplomacia síria, Walid Muallem, desmentiu "com vigor as acusações de que o regime utilizou armas químicas", e acusou os "terroristas" por lançar mão de tais recursos.


 
Já a oposição síria rejeitou as acusações do regime de que teria usado armas químicas e afirmou que trata-se de uma estratégia do governo para desviar a atenção de seus próprios "crimes".


 
"A Coalizão Nacional Síria nega energicamente as informações mentirosas emitidas pelo regime de (presidente Bashar al) Assad e considera que trata-se de uma tentativa desesperada para desviar atenção dos contínuos ataques contra civis".


 
O presidente da Coalizão, Ahmat Jarba, exortou a comunidade internacional, especialmente os Estados Unidos, a intervir de "forma séria" na Síria diante dos ataques químicos.


 
"Peço à comunidade internacional que passe das palavras à ação. Estamos fartos de ouvir palavras e necessitamos de medidas concretas de parte das Nações Unidas. Exijo que o presidente americano, Barack Obama (...), que tenha responsabilidade, tanto pessoalmente como em nome de seu país. Exijo a mesma atitude do presidente francês, François Hollande, do primeiro-ministro britânico, David Cameron, e dos chefes de Estado árabes".


 
O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) anunciou no sábado ter contabilizado 322 mortos vítimas de "gases tóxicos" nas proximidades de Damasco na última quarta-feira, baseando-se em novos relatórios médicos.


 
"A OSDH apurou 322 mortos, dos quais 54 crianças, 82 mulheres e dezenas de rebeldes, e mais 16 corpos não identificados".


 
Segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), cerca de "3.600 pacientes com sintomas neurotóxicos" chegaram na quarta-feira a três hospitais da província de Damasco após o suposto ataque com armas químicas.


 
"Três hospitais da província de Damasco apoiados pelos Médicos Sem Fronteiras informaram à organização internacional médico-humanitária da chegada de aproximadamente 3.600 pacientes com sintomas neurotóxicos em um período de menos de três horas durante a manhã do dia 21, dos quais 355 morreram".


 
Em meio à troca de acusações, a alta representante da ONU para o desarmamento, Angela Kane, chegou ao meio-dia deste sábado a Damasco para negociar os termos de uma investigação sobre o uso de armas químicas.


 
O mandato da missão de especialistas da ONU, dirigida por Aake Sellström, que chegou a Damasco dia 18 de agosto, se limita a investigações sobre a utilização ou não de armas químicas este ano em Jan al Asal (norte), Ataybe (próximo de Damasco) e Homs (centro).


 
Contudo,depois dos últimos acontecimentos, a comunidade internacional pediu que esses especialistas possam ir o quanto antes ao local do ataque para verificar as acusações.


 
O chanceler Walid Muallem informou neste sábado ao ministério iraniano das Relações Exteriores que "o governo sírio vai cooperar com a missão das Nações Unidas na Síria e dará condições para que as zonas atacadas com armas químicas por grupos terroristas e takfiris (sunitas extremistas) sejam visitadas".


 
"No momento, nós estamos discutindo com a missão de investigação das Nações Unidas" para preparar esta visita, acrescentou o chanceler sírio, em conversa telefônica com o colega iraniano, Mohammad Javad Zarif.


 
O presidente norte-americano, Barack Obama, que, na sexta-feira considerou "muito preocupante" a possibilidade de que o regime sírio tenha bombardeado uma área rebelde com armas químicas, analisava este sábado, com seus conselheiros, a eventual resposta de seu governo, informou um funcionário da Casa Branca.


 
Obama ordenou seus serviços de inteligência a "coletar fatos e provas para determinar o que aconteceu na Síria" para tomar uma decisão, explicou.



 
Washington anunciou pouco antes a mobilização de forças militares que permitam proporcionar opções a Obama caso o presidente ordene uma intervenção na Síria, mergulhada em um conflito que, desde março de 2011, deixou mais de 100.000 mortos, 7.000 deles crianças, e obrigou milhões de pessoas a fugir, segundo a ONU.


 
O ministro de Defesa norte-americano, Chuck Hagel, destacou que este fato não significa que tomou uma decisão de intervir na Síria. De fato, o país não quis tirar conclusões precipitadas.


 
Um responsável pela defesa em Washington informou de que esses meios militares incluem o envio ao Mediterrâneo de um quarto destróier equipado com mísseis de cruzeiro.


 
Segundo a edição de ontem The New York Times, citando um funcionário de Estados Unidos, as autoridades norte-americanas poderiam tomar como exemplo os bombardeios da Otan na guerra de Kosovo em 1999 para realizar uma ação similar contra a Síria sem um mandato da ONU.


 
A Rússia, também aliada do regime sírio, denunciou que o ataque foi "claramente uma provocação" dos rebeldes e considerou que "os pedidos de algumas capitais europeias (...) a tomar agora mesmo uma decisão sobre o uso da força são inaceitáveis".


 
Moscou pediu ao regime de Assad que coopere com os especialistas da ONU e reivindicou aos insurgentes que lhes garanta o acesso aos lugares dos ataques.


 
A coalizão da oposição síria se comprometeu "a garantir a segurança" dos inspetores da ONU.


 
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou na sexta-feira que a utilização de armas químicas constituiria um "crime contra a Humanidade", de "graves consequências para quem o perpetrou".




Fonte: EFE

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