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Terça - 09 de Março de 2010 às 07:02
Por: Mariane de Oliveira

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) julga hoje processo disciplinar contra o desembargador José Jurandir de Lima, acusado de empregar em seu gabinete seus dois filhos e atestar as presenças, mesmo sabendo que eles não compareciam ao trabalho. O relator do processo disciplinar é o conselheiro Milton Nobre. A decisão pode causar mais um impacto negativo na imagem do Poder Judiciário. Caso também receba a pena máxima de aposentadoria compulsória, Jurandir será o 11º magistrado de Mato Grosso afastado pelo CNJ, este ano.

O julgamento de Jurandir de Lima deve acontecer em um momento histórico para o Conselho, que realiza hoje sua centésima sessão ordinária, em meio a comemorações e elogios pelas decisões moralizadoras em favor do Poder Judiciário, em quase cinco anos de funcionamento.

No dia 24 de fevereiro, o CNJ afastou o presidente do TJ, Mariano Travassos, os desembargadores José Ferreira Leite e José Tadeu Cury, e sete juízes mato-grossenses.

O processo administrativo contra Jurandir de Lima foi aberto pelo CNJ no dia 31 de março do ano passado, a partir de inquérito instaurado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que corre em segredo de Justiça.

Na época, o relator do processo no CNJ era o ministro Gilson Dipp. Segundo a Agência CNJ de Notícias, ao determinar a abertura das investigações, o ministro afirmou que o caso "mostra indicativos de violação aos deveres funcionais do magistrado".

Conforme consta no processo, a filha do desembargador morava em São Paulo e recebia pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso. E o filho cursava medicina em período integral, o que impossibilitava o comparecimento ao trabalho.

Auditoria - Além do processo disciplinar contra o desembargador José Jurandir de Lima, o CNJ deve concluir hoje o julgamento do processo administrativo sobre a contratação de uma empresa de auditoria pelo TJ em 2007. A empresa detectou suposto desvio de recursos públicos na forma de pagamentos irregulares a magistrados, que teriam ocorrido na gestão do ex-presidente José Ferreira Leite, entre dezembro de 2004 e janeiro de 2005.

O então presidente do TJ, Paulo Lessa, encaminhou as provas para a Corregedoria-geral de Justiça, que apurou os fatos relativos aos juízes envolvidos e enviou as provas contra os desembargadores para o STJ e para o CNJ. O Conselho realizou auditoria nas contas do TJ, confirmou as irregularidades e afastou três desembargadores e sete juízes.

No decorrer do processo disciplinar, os magistrados acusados contra-atacaram, e encaminharam denúncia ao CNJ acusando Paulo Lessa e o ex-corregedor geral de Justiça, desembargador Orlando Perri, de ter contratado empresa fantasma para realizar a auditoria.

Outro lado - No inquérito conduzido pelo STJ, o desembargador alegou que seus filhos haviam sido nomeados em comissão para exercerem cargos no TJ e que, portanto, as nomeações foram feitas por outros desembargadores e não por ele. A reportagem procurou o desembargador, mas foi informada que ele entrou ontem de férias.





Fonte: A Gazeta

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