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Agronegócios
Sexta - 19 de Fevereiro de 2010 às 16:50

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Com a colheita recorde de soja avançando nos principais Estados produtores do grão mais produzido no Brasil, os preços para o transporte rodoviário da commodity tiveram uma alta acima do normal para esta época de escoamento da safra, afirmaram especialistas.

Isso ocorre também em meio a uma colheita mais antecipada e concentrada este ano, com um volume maior do produto seguindo para os portos antes do normal, já em fevereiro, o que elevou a demanda por caminhões para transportar a oleaginosa.

O Brasil deve ter uma safra de soja em 2009/10 de 66,7 milhões de toneladas, contra 57,2 milhões na temporada passada, de acordo com o Ministério da Agricultura.

"Ano passado, pagava-se R$ 210 por tonelada de Sorriso (MT) para os portos, o dólar estava R$ 2,30, e isso equivalia a US$ 91 por tonelada. Hoje o mesmo frete está em R$ 235, com o dólar a R$ 1,82, dá US$ 129 por tonelada, aumento de 41% em dólar", destacou João Birkhan, diretor da Central de Comercialização de Grãos da Famato, a associação dos produtores de Mato Grosso.

Para Birkhan, os produtores, que precisam transformar seus custos em dólar, porque recebem pela soja na moeda norte-americana, não têm como suportar essa diferença.

"Se gastamos US$ 129 de frete, mais US$ 10 para carregar no porto, são cerca de US$ 140, de 360 dólares, que é o valor FOB (sem incluir os impostos de importação, frete e seguro) no porto, então nós gastamos 38% do valor do nosso produto nessa despesa", declarou nesta sexta.

Ele observou que o produtor pode até tentar segurar suas vendas, diante da menor rentabilidade, mas há limite para se fazer isso, pois ele precisa quitar dívidas e, em geral, não tem onde armazenar toda a produção.

A soja já chegou a valer US$ 17,5 por saca no Estado nesta safra, e hoje está em torno de US$ 14, queda essa explicada, em parte, pela alta do custo com o transporte.

"A bolsa caiu, mas os custos internos aumentaram, e o frete é o principal, e quem paga a conta é o produtor."

No começo da safra, o frete entre Sorriso, principal município produtor de soja do Brasil, e os portos do Sul e Sudeste estava em torno de R$ 200 por tonelada.

"Temos 4 milhões de toneladas de milho da safra passada por transportar, e isso se não tem pressão de transporte tem pressão de armazenagem, que rouba o espaço da soja. E agora mais de 18 milhões de toneladas (da atual safra de soja)."

Ao lamentar as deficitárias condições logísticas no Estado, ele alertou para a necessidade da conclusão do asfalto da BR-163, em direção ao Pará, que daria uma alternativa mais barata de exportação.





Fonte: Reuters

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