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Economia
Segunda - 04 de Janeiro de 2010 às 03:08
Por: Maria Angélica de Moraes

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A empolgação com as compras natalinas leva muita gente a contrair dívidas que atravessam o ano e costumam ocupar boa parte do orçamento de, pelo menos, todo o primeiro trimestre. Atraídas pelas vantagens do "compre hoje e pague só no ano que vem" as pessoas se esquecem dos gastos tradicionais de início de ano como o Imposto sobre Patrimônio Territorial Urbano (IPTU), material e uniforme escolar, entre outros (além das prestações adquiridas no ano anterior). O resultado costuma ser um início de ano já endividado o que significa adiar mais uma vez os planos de não entrar no vermelho e conseguir economizar.

"O segredo para manter uma vida financeira saudável o ano todo é ter disciplina. Isso requer muita atenção e cuidado com todas as despesas. O ideal é que todos os meses a pessoa analise suas entradas e saídas fazendo um paralelo para cada um dos itens, levando em consideração as despesas fixas e também as variáveis. Como a vida é uma caixinha de surpresas, é importante ter sempre uma reserva para emergências. A ausência desse dinheiro extra pode ser a porta de entrada para um endividamento. Nestas condições a pessoa estará sujeita aos juros e poderá ter dificuldades para sair da situação devedora", explica Marília Cardoso, autora do livro Você Sabe Lidar com o Seu Dinheiro? Da infância à velhice.

Segundo a especialista, planejamento é a palavra-chave para conquistar o tão almejado equilíbrio no orçamento doméstico. Outra providência importante a ser tomada logo no começo do ano é quitar as dívidas com juros mais altos como as do cheque especial e cartão de crédito. "No caso do cartão de crédito é imprescindível sempre pagar o valor total da fatura. Os juros dos cartões são altíssimos e muitas vezes vale mais a pena pegar um empréstimo com juros menores para quitar a dívida do cartão".

Na opinião da educadora financeira Márcia Dessen resoluções de ano novo também podem e devem ser tomadas em favor das finanças pessoais. "Disciplina de poupança é a senha para um próspero ano novo". E, para quem não consegue ter sobra de dinheiro, ela aconselha uma "inversão", ou seja, em vez de comprar sem ter o dinheiro, pagando depois em prestações, é melhor juntar antes o montante necessário para adquirir o produto.

"Pode ser chata, mas essa atitude tem vantagens. O impulso perde lugar para o que foi planejado, desejado e conquistado com esforço e disciplina. Ter dinheiro na mão para a compra à vista dá poder de barganha. E as chances de fazer um bom negócio aumentam e, com o valor que seria gasto em juros e prestações é possível comprar aquele presentinho supérfluo mas que traz tanta alegria", frisou. "Poupar não se pratica eventualmente. Precisa ser todo mês. Estabeleça uma meta e parta para a ação", ensina.

É consenso entre os especialistas no assunto que o primeiro passo é ter consciência da própria vida financeira. "Muitas pessoas não têm noção do quanto ganham, nem quanto e como gastam. É essa realidade que precisa mudar. Para isso, nada melhor que papel e caneta. Quando se cria esse hábito fica muito mais fácil identificar onde se está gastando em demasia e corrigir a situação antes que vire uma bola de neve", observa Marília Cardoso. Com esse conhecimento, segundo ela, é possível saber mais facilmente quando se está próximo de entrar no vermelho.

"A partir do momento que se toma essa consciência, é possível tomar providências inteligentes como uma nova atividade com a finalidade de um ganho extra ou ainda a redução de despesas supérfluas. O importante é conhecer a fundo suas finanças para tomar as decisões corretas e no momento adequado".

Para o economista João Paulo Fortunato este planejamento pode ser mensal, trimestral, semestral ou de um ano. "Planejamento financeiro é um processo sistematizado que possibilita melhor administração da renda, das despesas, dos investimentos, das obrigações com empréstimos/financiamentos, do patrimônio familiar ou pessoal, cujo objetivo é de tornar realidade o sonho de aquisição da casa própria, automóvel novo, viagens, educação dos filhos, ter uma aposentadoria mais tranqüila, entre outros". O especialista lembra ainda que este planejamento não é indicado apenas para pessoas que possuem muitos recursos ou são investidoras já que a partir dele é possível alocar melhor os recursos e acumular capital financeiro ao longo da vida.

Marília Cardoso aconselha o planejamento mensal como o mais viável para quem pretende começar a controlar o próprio orçamento. "O mês a mês é imprescindível para um ano de sucesso". Cortar supérfluos é outra decisão importante, apesar de adiada pela grande maioria. De acordo com Marília, o supérfluo varia de acordo com o padrão de consumo de cada família. "Tem gente que não vive sem TV a cabo. Outros acham dispensável. O ideal é que cada família estabeleça suas prioridades e itens supérfluos que podem ser cortados em momentos de menos abonança".

Para a arquiteta Ana Carolina Tomassian o planejamento mensal do orçamento, iniciado há 5 anos desde que ela começou a trabalhar por conta própria, já rendeu várias conquistas. "Consegui comprar bens com mais valor e à vista, como notebook, planejar viagens e quitá-las à vista também e poupar um dinheiro para alguma emergência, o suficiente para uns 4 meses (gastos fixos mensais). O próximo plano é trocar de carro sem entrar em financiamento".

Ana Carolina conta que faz um planejamento simples. Anota receitas e despesas mas acaba deixando de lado os pequenos gastos como um cafezinho, por exemplo, e admite que no final isso faz uma diferença.

Da sua renda total, cerca de 30% são destinados aos produtos considerados supérfluos, "um sapato novo, a blusa perfeita ou a academia", exemplifica. Mas mesmo com todo esse planejamento a arquiteta admite já ter entrado no vermelho. "Tive que apelar para o dinheiro guardado para pagar excessos de despesas, o que para mim não é bom, afinal o dinheiro que guardo é para imprevistos e para comprar algo de mais valor evitando prestações". Entre as regras sempre seguidas por ela estão sempre optar pelo pagamento à vista, mesmo quando não consegue desconto.

Na opinião de Marília Cardoso, o brasileiro ainda não tem o que se chama de educação financeira. "Pouquíssimas escolas introduzem esses ensinamentos nas salas de aula. Os que sabem administrar bem normalmente o fazem muito mais por intuição do que por consciência". Mas nem tudo está perdido. De acordo com a especialista os meios de comunicação têm explicado muito sobre finanças e ensinado as pessoas comuns a lidarem melhor com o seu dinheiro. "Os jornais estão saindo do típico economês para falar a linguagem da dona de casa e isso é importantíssimo. Sou bastante otimista e acredito que dentro de poucos anos poderemos considerar o Brasil uma nação educada financeiramente".





Fonte: A Gazeta

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