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Economia
Quarta - 02 de Dezembro de 2009 às 21:41

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O americano Paul Krugman, Prêmio Nobel da Economia de 2008, afirmou nesta quarta-feira que o Brasil entrou na crise com perfil financeiro muito melhor que em crises anteriores, o que possibilitou ao país sair bem dela.

"Pela primeira vez em toda a minha carreira o Brasil saiu melhor da crise e é por isso que vocês estão com tudo", disse, em entrevista a jornalistas em São Paulo. Krugman ressaltou, porém, que o forte fluxo de capitais para o país, que está supervalorizando o real, pode se tornar um problema.

"A história indica que você não vai querer ser sempre o maior destaque", afirmou, lembrando que México, Argentina e Ásia tiveram momentos de grande otimismo seguidos de grandes crises nos últimos anos.

Para o economista, o excesso de recursos estrangeiros no país pode ser ruim economia brasileira. "Estamos vendo o real muito elevado, em um nível difícil de justificar", disse.

Segundo ele, a moeda muito valorizada pode afetar muito as exportações do país. "O problema do Brasil neste momento é o real continuar subindo, o que pode prejudicar o crescimento econômico", afirmou.

Krugman afirmou que o governo brasileiro deve realizar intervenções frequentes na taxa de câmbio para evitar a supervalorização da moeda local, acumulando reservas "mesmo que não queira".

"E está na hora de dizer para o mercado: "Estamos melhores do que fomos, mas não somos tão bons assim, não amem tanto a gente", disse.

EUA

Durante a entrevista, o economista afirmou ainda que o grande desafio dos Estados Unidos a partir de agora não é o deficit orçamentário, como muitos dizem, mas o desemprego elevado. Além disso, Krugman ressaltou que o crescimento visto no país no terceiro trimestre, de 2,8%, deve desacelerar.

"O fator crítico agora é o desemprego. O PIB [Produto Interno Bruto] está crescendo, o mercado de ações também, mas o desemprego está terrível", disse. "Em relação a isso, a crise não acabou não."

Ele previu que a expansão da economia norte-americana deve desacelerar para cerca de 2% em 2010, "abaixo do seu potencial", já que os fatores que estão puxando o crescimento agora --incentivos do governo e queima de estoques-- não vão durar no longo prazo.

"Os fatores que levaram ao crescimento agora são temporais e vão desaparecer no próximo ano. E nós estamos vendo nenhuma aceleração na demanda das famílias, das empresas, que compense isso", disse.

Para Krugman, o desemprego deve ficar em 10% nos EUA em 2010. "Se isso continuar, vai exigir um enorme crescimento do PIB", disse.

O economista afirmou que o estímulo fiscal do governo de Barack Obama foi cerca de metade do que deveria ter sido para ajudar a economia e sugeriu que o governo destine entre US$ 200 bilhões e US$ 300 bilhões para criar empregos. Esse dinheiro, segundo ele, seria usado para dar créditos a empresas que contratarem, aumentar os postos públicos e ajudar os governos estaduais com suas folhas de pagamento.

A respeito de um novo choque na economia mundial que fizesse os países voltarem à recessão, Krugman afirmou que "a parte apocalíptica da crise já passou". "Haverá mais choques ainda, como Dubai ou algum dos países bálticos pedindo moratória, mas isso já é esperado", disse.





Fonte: Folha Online

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