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Saúde
Segunda - 15 de Dezembro de 2008 às 14:30

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As combinações de hormônios existentes nas pílulas anticoncepcionais causam reações que vão além do simples impedimento da gravidez. Na lista dos possíveis efeitos colaterais graves existentes, como trombose ou enxaqueca, uma reação acaba passando despercebida: a redução da libido feminina.

Desconhecida por muitas mulheres que tomam o medicamento, a alteração que a pílula pode causar no desejo sexual feminino está inclusive na bula dos remédios e costuma ser abordada pelos médicos apenas quando eles são questionados pela paciente sobre o assunto. Isso porque, de acordo com ginecologistas ouvidos pelo "Agora", o desejo sexual é complexo e não envolve apenas o uso do medicamento, mas sim questões como estresse, cultura ou falta de atração pelo parceiro.

O ginecologista Claudio Bonduki, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), afirma que a pílula pode causar diminuição da vontade de fazer sexo por causa dos hormônios sintéticos (feitos em laboratório) utilizados nas pílulas. No entanto, nenhuma mulher deve ficar preocupara com a possível reação, uma vez que, segundo Bonduki, a simples troca de fórmula do contraceptivo reverte a situação se for apenas esse o motivo do problema.

As pílulas são compostas por dois hormônios, a progesterona e o estrogênio. O tipo de estrogênio, o etinilestradiol, é o mesmo em todas os anticoncepcionais. Segundo o ginecologista Rodolfo Strufaldi, professor da Faculdade de Medicina do ABC, o estrogênio aumenta a quantidade de uma proteína no fígado que, por sua vez, diminui a dose no sangue de testosterona, hormônio responsável pelo desejo sexual. Com isso, a conseqüência é a diminuição do desejo sexual.

As mulheres, no entanto, têm também uma boa notícia: da mesma forma que algumas pílulas podem diminuir a libido, outras podem aumentar a vontade de fazer sexo. De acordo com Strufaldi, uma "boa" progesterona tem a capacidade de melhorar o nível da testosterona na mulher.

Para provar, ele desenvolveu um estudo com 98 mulheres que usaram pílula por seis meses. Elas tomaram fórmulas diferentes apresentaram melhora de 5% a 7,5% no desejo sexual. A satisfação sexual melhorou cerca de 6% para os grupos analisados.

Strufaldi alerta, porém, que não há uma pílula universal. "A progesterona é seletiva. Há um tipo melhor para a pele, outro para a mama. Não há uma perfeita", disse. Pelo mesmo motivo, certas fórmulas funcionam bem no organismo de algumas mulheres e mal no de outras.

Alternativa

Foi por desconfiar que a pílula anticoncepcional que tomava há mais de quatro anos tinha alguma influência na redução do desejo sexual que vinha sentindo há algum tempo que a secretária Cristina (nome fictício), 28 anos, procurou um médico no meio deste ano.

"Tem de perguntar se não eles não falam nada", disse Cristina, que obteve do médico a resposta que precisava ouvir: sim, o uso do medicamento poderia interferir em sua vontade de fazer sexo.

Após a consulta ao ginecologista, a secretária mudou de fórmula e disse ter percebido uma melhora na relação sexual. "A gente conhece o nosso corpo", afirmou. Ela reconhece, no entanto, que outros fatores emocionais também podem ter interferido na questão. No caso dela, Cristina acredita que uma viagem ao exterior feita recentemente possa ter influenciado o lado sexual, pelo impacto psicológico de ter ficado um tempo fora do país. De acordo com a secretária, até o ciclo menstrual ficou mais regulado após a troca da fórmula.

A publicitária Mariana Almeida, 29 anos, também já precisou trocar de pílula uma vez, mas por um outro motivo: ela faz tratamento dos ovários policísticos e não se adaptou ao primeiro medicamento que experimentou. "Eu comecei a usar muito cedo, com 10 anos, para regular o ciclo", disse.





Fonte: Folha Online

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