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Repórter News - reporternews.com.br
Economia
Quinta - 13 de Novembro de 2008 às 10:53

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Não se deve esperar melhoras significativas no quadro econômico mundial para antes de o final de 2009, previu a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. A temida recessão econômica nos países membros do grupo - zona euro, Estados Unidos e Japão - parece ser uma certeza, assim como o desaquecimento da economia dos países emergentes e não-membros da organização, como o Brasil.

O Produto Interno Bruto (PIB) em diversos países da OCDE deve recuar em até 0,3% no ano que vem. Estados Unidos e a zona euro devem chegar ao quarto trimestre de 2009 com 0,3% e 0,1% de recuo no PIB, respectivamente.

O balanço do ano terá sido redução do crescimento de 0,9% nos EUA e 0,5% na zona euro, e o resultado é que a economia só deve voltar a retomar um ritmo positivo no final do próximo ano, encorajada pela melhora no ritmo do mercado imobiliário nos Estados Unidos e a queda da inflação.

"A desaceleração da economia global é inevitável. As tensões financeiras atuais vão persistir ainda por várias semanas e só vão começar a se atenuar ao longo dos primeiros meses do ano que vem", afirmou o diretor de Estudos de Políticas Econômicas da OCDE, Jorgen Elmeskov, em coletiva de imprensa realizada nesta manhã na sede da organização na capital francesa.

Conforme o especialista, a melhora da situação econômica levará mais tempo do que o previsto inicialmente pelo órgão. "Muitas empresas, especialmente as mais recentes, ainda vão falir ou ficarão à beira da falência."

Elmeskov destacou o papel dos países emergentes na saída da crise. "O forte crescimento destes países nos últimos anos impulsionou também o crescimento dos países-membros, através das demandas de importações. Mas infelizmente os não-membros também verão sua atividade econômica se reduzir no próximo ano", disse Elmeskov. Entre China, Índia e Brasil, os brasileiros devem ser os únicos a se manterem estáveis em torno de 6% e a não decrescerem.

O especialista, no entanto, evitou perguntas mais detalhadas sobre a situação dos países emergentes. "É fato que os países não-membros têm um papel cada vez mais crescente na economia mundial. Ainda é cedo para fazer previsões detalhadas sobre eles e neste momento a nossa prioridade é falar sobre os países-membros."

Para o diretor, ações de coordenação internacional e medidas orçamentárias, como as que vêm sendo tomadas por diversos governos desde o início da crise, são soluções que poderão tornar os efeitos da turbulência menos danosos em 2009. "Se subitamente os governos parassem se tomar essas medidas, teríamos uma catástrofe de amplitude tão grande que é sequer possível de imaginar como seria."

De acordo com Elmeskov, as ações de cooperação internacional poderão evitar que os países mais fracos afundem ainda mais na recessão. "Se somente alguns países agirem em conjunto, outros mais fracos não terão poder de competitividade. As ações têm de ser abrangentes até que toda a situação se estabilize para todos", recomendou. O diretor espera que a reunião do G-20, prevista para o próximo sábado em Washington, possibilite acertos entre as lideranças mundiais a fim de continuarem agindo contra os efeitos da crise econômica.

Em relação à inflação, a OCDE espera a diminuição cada vez maior dos índices em decorrência da queda dos preços do petróleo e, com isso, a redução dos custos de matéria-prima.

"Não podemos esquecer que há seis meses o barril de petróleo chegava a US$ 140, o que provocou picos de inflação no último verão (julho-agosto) não vistos há muito tempo. A tendência agora é que aos poucos a inflação baixe cada vez mais até se estabilizar novamente, e este vai ser o tubo de oxigênio à renda do consumidor."

O diretor lembrou que, embora a crise tenha refletido inúmeras falhas do mercado financeiro e as ações dos bancos centrais tenha sido vital para a falência completa do modelo liberal, é preciso ter cautela para não alterar as bases do mercado de livre comércio.

"Todas essas medidas devem obrigatoriamente ser temporárias e o mercado tem de estar pronto para reagir sozinho quando elas não forem mais necessárias e puderem ser suprimidas. De qualquer forma, será preciso reexaminar as características de regulação e supervisão que permitiram a uma tomada de riscos excessiva e conduziram os estabelecimentos financeiros a aumentar suas dívidas de uma forma não muito transparente", afirmou Elmeskov.

"No futuro, teremos de nos concentrar nas reformas da arquitetura financeira mundial, ao mesmo tempo em que resistiremos a todas as pressões em favor de um questionamento das bases da abertura dos mercados, o que teria conseqüências pesadas."





Fonte: Redação Terra

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