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Saúde
Domingo - 21 de Setembro de 2008 às 13:46

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O dia 21 de setembro é lembrado como Dia Mundial do Alzheimer, com o objetivo de conscientizar a população sobre o problema. O mal de Alzheimer é uma doença neurológica, progressiva e que afeta principalmente pessoas de idade avançada, causando perdas nas funções neurológicas. De acordo com a Anerj (Associação de Neurologia do Rio de Janeiro), existem, no mundo, cerca de 25 milhões de portadores. No Brasil, cerca de 6% das pessoas com mais de 60 anos sofrem do Mal de Alzheimer, segundo dados da Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer).

A doença também é responsável por 60% dos casos de demência, aponta o neurologista e livre-docente da Unifesp (Universidade Federal da São Paulo) Cícero Galli Coimbra. De acordo com o médico, a primeira manifestação do Alzheimer é a perda da memória recente. Mesmo assim, não se pode confundir qualquer lapso com um sintoma. "Esquecer o que estava procurando ao abrir um armário, por exemplo, é normal. Nesses casos, o lapso é causado por um momento de tensão emocional, quando o nível de atenção da pessoa tende a cair", explica.

A perda de memória recente passa a ser um problema quando se torna freqüente. Por exemplo, quando um idoso questiona várias vezes seguidas o horário de algum compromisso, como se não tivesse perguntado antes. Se isso acontecer, é importante procurar um médico. "A família também não deve confrontar a pessoa, apontando seus esquecimentos", diz Coimbra. Segundo o médico, os familiares devem ter muita paciência e apoiar o doente.

Ao ser pressionado, a doente pode entrar em pânico por estar com dificuldades de memorização e isso leva à progressão do quadro, explica o médico, que dirige um laboratório de pesquisa sobre o envelhecimento neurológico na Unifesp. "O sofrimento aciona mecanismos que aceleram o processo degenerativo, formando um ciclo vicioso", explica Coimbra, pois quanto mais a pessoa sofre com suas dificuldades, mais dificuldades aparecerão.

Com o envelhecimento da população brasileira, o Ministério da Saúde criou, em 2002, o Programa de Assistência aos Portadores da Doença de Alzheimer, que funciona por meio dos Centros de Referência em Assistência à Saúde do Idoso, responsáveis pelo diagnóstico, tratamento, acompanhamento dos pacientes e orientação aos familiares e atendentes dos portadores de Alzheimer.

Como não existe cura para a doença, a melhor saída é a prevenção. O conselho de Coimbra? Evitar sofrer. "Não fazer tempestade em copo d'água deve ser a filosofia de vida de quem quer ter uma vida mental saudável", afirma o médico. "Está provado que um fator importante para se ter uma boa saúde mental na vida adulta é ter uma vida menos estressada e menos angustiada, pois sofrimento e problemas como a depressão impedem o crescimento de novos neurônios", explica Coimbra.

"A depressão e as angústias por coisas banais levam a um envelhecimento do cérebro", afirma o especialista. Esse envelhecimento agrava o quadro de Alzheimer e precisa ser evitado. É por isso que o médico recomenda o uso de anti-depressivos em quem sofre de Alzheimer. "É uma alternativa terapêutica para melhorar a neurogênese (processo de crescimento de novos neurônios)".

Além disso, o uso contínuo da capacidade intelectual e uma alimentação rica em nutrientes, como a vitamina D e o ômega 3, e livre das aminas heterocíclicas ajudam a prevenir a doença. A vitamina D é produzida pelo corpo humano a partir da exposição ao sol, o ômega 3 é um ácido graxo presente na carne de peixe, e as aminas heterocíclicas são produzidas em grande quantidade com o cozimento da carne de frango e da carne vermelha. Segundo Coimbra, essas aminas, que têm efeito acumulativo, são cancerígenas e também podem causar doenças cardíacas, além de afetar o sistema nervoso. "Uma alimentação saudável para o cérebro é rica em ovos, peixes cozidos a baixas temperaturas, verduras e frutas, sem carne de frango", diz.





Fonte: UOL Notícias

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