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Repórter News - reporternews.com.br
Economia
Quarta - 23 de Julho de 2008 às 08:40

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Apesar de a maioria do mercado estar posicionada à espera de uma elevação de 0,50 ponto percentual na taxa básica Selic, há economistas que defendem um ajuste mais forte nos juros brasileiros. A taxa básica da economia está em 12,25% anuais, e o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) anuncia na noite de hoje como ficará a nova Selic.

Os que divergem afirmam que a Selic deveria ser elevada em 0,75 ponto percentual, para 13% anuais, devido à persistente pressão inflacionária. "O mercado ainda está vendo a inflação muito perto ou até acima do teto da meta", destaca Rodrigo Trotta, superintendente de tesouraria do banco Banif. "O Copom está mirando já a inflação de 2009, precisa ser austero."

Joel Bogdanski, do banco Itaú, que prevê que a taxa Selic será aumentada em 0,50 ponto percentual, afirma que "na última reunião do Copom havia motivos para aumentar o ritmo e isso não ocorreu".

"O Copom optou por fazer o ajuste [na taxa Selic] de forma gradual e não se sabe até quando isso vai prosseguir. Pode ser necessário que as elevações se estendam por 2009... Não dá para afirmar hoje qual o tamanho do ajuste necessário", avalia Bogdanski.

Mas há quem conte com a possibilidade de haver um ajuste mais forte já nesta reunião. A equipe do departamento de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco, por exemplo, projeta uma alta de 0,75 ponto percentual na Selic.

A mesma opinião tem o economista Alex Agostini, da Austin Rating. "O Copom deve subir a Selic em pelo menos 0,75 ponto. Dessa forma, reforça sua preocupação com a dinâmica da inflação e deixa claro aos agentes econômicos que está disposto em elevar ainda mais a dose amarga do remédio para combater o mal da inflação se necessário", diz.

"Se mantiver o ritmo de alta da taxa em 0,50 ponto irá passar uma percepção de que está tudo sob controle. Com isso, o colegiado correrá um grave risco de não conseguir 'desinflar' as expectativas de inflação para 2009, colocando em risco a credibilidade de seu sistema de metas", afirma Agostini.

Olho em 2009

Para Marcelo Salomon, economista-chefe do Unibanco, a Selic deve terminar o ano em 14,25% e ainda deve haver mais duas elevações de 0,5 ponto percentual em 2009, encerrando o atual ciclo de aumento dos juros em 15,25%. "Assim, o crescimento de cerca de 4,8% em 2008 desaceleraria para 3% no ano que vem", diz.

Ele lembra que o único instrumento de política monetária existente para controlar a inflação é o juro, mas que outras medidas podem ser tomadas pelo governo a fim de conter o avanço dos preços, como a diminuição dos gastos públicos. Quando esse esforço do lado fiscal desse resultados, não haveria necessidade de uma política monetária tão dura.

Na opinião de Jason Vieira, da consultoria UpTrend, ainda não estão configuradas fortes pressões inflacionárias pelo crescimento da demanda interna. No entanto, elevar a Selic impediria que os aumentos de preços dos alimentos contaminassem outros setores. "Agindo com rigidez agora, no momento em que a inflação arrefecer o BC pode reverter a tendência dos juros mais rapidamente."





Fonte: Folha de S.Paulo

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