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Economia
Quarta - 25 de Junho de 2008 às 15:07

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A alta da inflação vem minando a confiança do consumidor brasileiro, que pretende comprar menos bens de longa duração nos próximos meses, segundo a Sondagem de Expectativas do Consumidor, divulgada nesta quarta-feira pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Para o coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da FGV, Aloísio Campelo, a perspectiva de piora da economia, que estava mais concentrada entre os consumidores de renda mais baixa, já está disseminada entre outras faixas de renda.

"Essa piora que o consumidor faz em relação às perspectivas das economia nos próximos meses já tinha relação com a inflação no ano passado, na faixa de renda mais baixa, quando houve repique de preços de alimentos, e continua este ano. Só que agora, houve disseminação maior para outras faixas de renda. Eles têm a percepção de que o aumento da inflação vai gerar necessidades de ajustes por parte do BC, que é a elevação das taxas de juros, e que deve causar desaceleração da economia", afirmou Campelo.

O ICC (Índice de Confiança do Consumidor) da FGV (Fundação Getulio Vargas) caiu 6,5% entre maio e junho de 2008, ao passar de 114,6 para 107,2 pontos. Na comparação com o mesmo mês de 2007, o ICC apresentou variação negativa de 1,7%.

O especialista ressaltou que a expectativa a respeito da economia para os consumidores de renda familiar mais alta piorou mais em junho. Campelo lembrou que essa classe não vinha sentindo tanto a inflação dos alimentos, que tem menos peso na cesta de consumo desses consumidores.

"Nas faixas de renda mais baixas, confiança vem caindo desde o ano passado. Mas o mercado de trabalho para esse consumidor não é tão ruim quanto é feita pelo de alta renda. Na população de renda mais alta, as expectativas pioraram muito em junho, e isso tem relação com as expectativas de inflação para os próximos meses, e percepção geral de piora no quadro econômico, com influência no mercado de trabalho", explicou.

A sondagem demonstra que o consumidor espera inflação mais alta e taxas de juros mais elevadas nos próximos meses. Em relação à inflação, a média esperada para os próximos 12 meses é de 7,1%, maior desde 2006. Em relação aos juros, 57,1% dos entrevistados disseram que a taxa Selic irá subir. É a maior perspectiva de alta em relação aos juros desde o início da pesquisa, em 2005.

Diante desse quadro, a disposição do consumidor para comprar bens duráveis caiu 6,5% na passagem de maio para junho. Campelo disse que esse índice vem diminuindo ao longo do ano porque o consumidor está "mais cauteloso".

"O consumidor se endividou muito nos últimos meses. Há previsão menor de compra", observou.

A confiança dos consumidores paulistanos caiu 9,3% em junho. Foi a maior queda entre as capitais investigadas. Segundo Campelo, São Paulo reflete com mais intensidade a economia brasileira, o que explica o resultado. Mesmo assim, ele considera que a confiança do consumidor paulistano ainda pode ser considerada boa.





Fonte: Folha Online

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