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Economia
Segunda - 23 de Junho de 2008 às 14:53

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A adesão dos produtores rurais mato-grossenses ao seguro agrícola não deverá chegar a 5% na safra 2008/09, segundo projeção da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja). No ano passado, a área total “segurada” de Mato Grosso para as culturas de soja, milho e algodão foi de apenas 243 mil hectares, incremento de 4,74% em relação aos números da safra anterior (232 mil hectares). Do volume, somente a área de soja teve proteção em 236 mil hectares, contra os 228 mil hectares na safra 2006/07.

Para o diretor executivo da Aprosoja, Marcelo Duarte, o desestímulo à procura pelo seguro agrícola em Mato Grosso é devido à baixa subvenção (subsídio) concedida pelo governo federal. “A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) propôs algumas melhorias ao seguro rural, para possibilitar o acesso de um maior número de produtores a esta ferramenta”. Entre as medidas ele destaca a necessidade de aumentar a subvenção da soja, arroz e algodão de 50% para 65%. Para o milho (segunda safra), a proposta é ampliar o percentual de 60% para 75%. “É importante também aumentarmos o teto máximo para todas as culturas para compensar a baixa rentabilidade e o alto custo do seguro. A conta que fazemos é de que o valor do seguro é praticamente o que sobra de lucro para o produtor a cada safra”.

Segundo ele, os produtores do Estado não têm hábito de segurar as lavouras, diferente, por exemplo, do que acontece no Sul do país. “Como o risco de perda por problemas climáticos é menor no Centro-Oeste, os agricultores acham que nunca vão ter perdas”.

Marcelo Duarte reconhece que a expansão do seguro rural é lenta, uma vez que não depende apenas da demanda do produtor, mas também da oferta de produtos por parte das seguradoras e inclusive, as facilidades por parte da União.

2007 - No ano passado, as subvenções pagas aos produtores mato-grossenses pelo governo federal, como parte do prêmio do seguro agrícola totalizaram, R$ 3,116 milhões. O montante representa em torno de 10% dos R$ 31,121 milhões liberados no país. No caso da soja, por exemplo, a União entra com até 50% do valor do prêmio, com teto fixado em R$ 32 mil por produtor. Em uma operação cujo prêmio do seguro é de R$ 10 mil, metade é paga pelo produtor e metade pelo governo.

Procura - Em Mato Grosso a procura pelo seguro agrícola ainda é mínima em função da natureza dos riscos cobertos pelo seguro, que contemplam basicamente eventos como granizo, tromba d´água, geada, chuvas em excesso, estiagem, vendaval e incêndio e não-germinação.

O consultor Vitor Ozaki aponta que entre os entraves para a expansão do mercado de seguro agrícola no Brasil estão a alta exposição catastrófica, o alto custo de fiscalização e “peritagem”, problemas de fraudes e falta de profissionais especializados para atuar na área.

“O seguro agrícola pode garantir a estabilidade dos produtores, facilidades de acesso ao crédito e aumento da competitividade”, destacou Ozaki. “Mesmo assim, ainda notamos desinteresse por este mecanismo de proteção da lavoura”, assinalou.

Para o corretor de seguros Arnaldo Coelho do Amaral Filho, o que mais chama a atenção é que, mesmo sendo uma área produtiva de alto risco, o agronegócio brasileiro tem baixa cobertura do setor de seguros. “O agronegócio é uma atividade arriscada, porém não conta com uma forma eficaz de proteção financeira contra as quebras de safra”, diz.





Fonte: Agrolink

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