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Politica Brasil
Quarta - 11 de Abril de 2007 às 07:11
Por: Romilson Dourado

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O governador Blairo Maggi revelou ontem, em entrevista exclusiva para A Gazeta, que o Estado não vai cumprir a ordem judicial para desocupar a área de 142 mil hectares que abrangem Sinop, Cláudia, Vera e Colíder (Nortão), "porque há sério risco de haver derramamento de sangue". "A Justiça tem razão, mas temos que levar em consideração os problemas sociais, que são grandes. Não podemos correr o risco de repetir aqui o Eldorado do Carajás", comentou o governador, numa referência ao massacre ocorrido no Pará, em 1996, quando policiais militares, durante confronto, mataram 19 sem-terra.

O empresário paranaense Oscar Hermínio Ferreira Filho, que desde 1977 briga na Justiça para reaver sua propriedade, ingressou com pedido de prisão e, depois, de intervenção federal em Mato Grosso. Argumenta que há quase 10 anos o governo protela o cumprimento da ordem judicial de reintegração de posse. Agora, o Tribunal de Justiça já intimou o governo para apresentar defesa.

Maggi explica que o Comitê de Assuntos Fundiários do Estado está fazendo levantamento e o entregará até o próximo dia 4, explicando os motivos pelos quais não pode cumprir a ordem judicial. "Nas nossas ações, temos cumprido todas as ordens. O que tem são pendências antigas, como a questão do Renascer, em Cuiabá, de uma área em Rondonópolis e essa gleba na região de Sinop. A Justiça tem razão, mas quero que sejam levados em consideração os problemas sociais".

Maggi observou que não quer deixar o governo "carimbado" como um gestor que usou a polícia de forma truculenta para cumprir mandato de reintegração de posse. Adianta que, se policiais entrarem na área pertencente ao espólio de Maria Amélia Ferreira para retirar os moradores que estão no local há vários anos vai haver derramamento de sangue. "Vamos buscar a renegociação. No Renascer, o problema era coisa de 15 a 20 anos e em 2004 tivemos próximos de fazer acordo com os moradores. Só não foi possível porque entrou política no meio".

O governador destaca que não vai atropelar o processo, enfatiza a preocupação social e promete chamar as partes para negociar. "Não vamos deixar os problemas ficarem antigos. O Comitê está analisando e vai chamar as partes para o diálogo. Aqui não vai virar Eldorado do Carajás. Não queremos confusão para Mato Grosso ir parar nos fóruns e nos organismos internacionais".

Maggi adianta que vai procurar o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Paulo Lessa, para solicitar que o próprio Judiciário auxilie o Poder Executivo na tomada de decisão.





Fonte: Editor de Política

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