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Repórter News - reporternews.com.br
Nacional
Quinta - 26 de Outubro de 2006 às 05:48

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O candidato à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB) não mostrou abatimento com a distância que o separa de seu adversário, segundo as pesquisas eleitorais, no último evento oficial de sua campanha. Mas a esperança do candidato de virar o jogo do segundo turno já não é capaz de sustentar em patamar elevado o ânimo de seus aliados.

Muitos reconhecem nos bastidores que é "praticamente impossível" avançar sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reverter os 22 pontos percentuais, diferença apontada pela última sondagem do Datafolha, que o separam do petista.

Em um comício em São Paulo cheio de simbolismos políticos, e num terreno agressivo a Lula, Alckmin encerrou formalmente a sua campanha como se estivesse no início dela. Segundo a Polícia Militar, 5 mil pessoas estavam presentes no início do evento. "Vamos chegar lá", dizia o tucano à militância.

Os discursos de seus companheiros, no entanto, indicavam o contrário. "Pelo amor de Deus, não deixem o Lula ganhar", pedia o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE). "Só faltam 10 milhões de votos", defendeu o senador José Jorge (PFL-PE), candidato a vice-presidente da chapa do tucano. A marca é quase o tamanho do eleitorado de Minas Gerais.

Aécio Neves (PSDB), no entanto, reeleito governador do Estado com mais de 70% dos votos, não prestigiou o colega na celebração final, mesmo sabendo que sua presença ao lado de Alckmin seria importante para demonstrar força eleitoral a menos de cem horas do "dia D".

Outros aliados ilustres também não compareceram. O governador eleito José Serra (PSDB), que praticamente não acompanhou o presidenciável durante o segundo turno, teve lugar cativo na lista de discursos, mas preferiu não atacar Lula diretamente.

Tanto Aécio quanto Serra pretendem construir "pontes institucionais" com o governo petista num provável próximo mandato. Ambos almejam o Palácio do Planalto em 2010 e, por isso, não se interessam pelos tensionamentos com adversários.

O candidato não poderá contar mais com palanques, discursos e eventos públicos. A partir desta quinta-feira, ele cumpre agendas mais modestas. Apenas entrevistas, caminhadas e o debate da TV Globo na próxima sexta.

Mas Alckmin não joga a toalha, nem reservadamente, revelam interlocutores. À imprensa, insiste que há um "movimento silencioso nas ruas". Para ele, a vantagem de seu adversário não passa de um dígito.

O local para se despedir oficialmente na campanha foi especialmente pensando e o discurso do encerramento, estrategicamente combinado. O objetivo era acentuar não só as diferenças entre os dois candidatos, mas também marcar uma crítica repetida à exaustão de que Lula não é mais o candidato do povo e da esquerda.

No palco histórico da luta pela redemocratização - o Vale do Anhangabaú -, a oposição atacou as alianças do PT com os peemedebistas José Sarney (ex-presidente da República), "representante das oligarquias", e Delfim Netto, "algoz da ditadura".

Diante de um palanque politicamente heterogêneo, que incluía ex-membros da Arena, partido que sustentava o regime militar, o prédio dos Correios serviu de inspiração para rebater a "calúnia" da "ânsia privatista", da qual o PT acusou o candidato tucano.

Os ataques ao governo vieram em coro. "Lula passou para o outro lado", declarava o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Uma senhora de quase 90 anos, com uma Bíblia na mão, não entendia tantos recados cifrados. "Quero que ele fale com a gente. Amo o Geraldo, estou pedindo por ele," reclamava a eleitora.




Fonte: Reuters

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