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Internacional
Terça - 26 de Setembro de 2006 às 09:37

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O corpo da imperatriz Maria Fiodorovna Romanov (1847-1928), mãe do último czar da Rússia, chegou hoje em um navio de guerra a São Petersburgo, antiga capital imperial, onde será enterrado 78 anos após sua morte no exílio.

"Assistirão ao enterro quase todos os membros da família Romanov", assegurou Ivan Artsishevsky, porta-voz na Rússia da Associação da Família Romanov, dinastia imperial que esteve no poder da Rússia entre 1613 e 1917.

O caixão chegou no navio da Marinha dinamarquesa Esben Snare à base naval russa de Kronstadt, no mar Báltico, vindo de Copenhague, cidade natal de Maria Fiodorovna e para onde fugiu após a vitória dos bolcheviques na Rússia.

Posteriormente, o caixão fará várias escalas em lugares que têm ligação com a vida dos Romanov, como o suntuoso Palácio Peterhof, a residência de verão dos czares em Tsarskoye Selo (Pushkin) e a Basílica de São Isaac.

A cerimônia do funeral, que será celebrada pelo patriarca Alexei II, acontecerá no dia 28 de setembro na Catedral da Fortaleza de São Pedro e São Paulo, às margens do rio Neva, onde está o panteão dos Romanov.

O corpo da imperatriz ficará junto ao de seu marido, Alexandre III (1845-94), e ao de seu filho, o último czar Nicolau II, fuzilado pelos bolcheviques junto a sua família em 1918.

O corpo do último czar e os de sua família foram encontrados em 1979 e, após terem sido identificados, foram enterrados na fortaleza de São Pedro e São Paulo em 1998. O então presidente russo, Boris Yeltsin, assistiu ao enterro.

"Para os russos, este será um ato de arrependimento nacional, já que nossos antepassados permitiram o assassinato do czar e de sua família", disse Feofan Lukianov, pároco da Igreja de Alexandr Nevski em São Petersburgo, onde o corpo da imperatriz será exposto para o público em breve.

Lukianov lembrou que a imperatriz participou ativamente de trabalhos de beneficência durante a Primeira Guerra Mundial, conflito que precedeu a guerra civil na Rússia.

Em seu testamento, a imperatriz disse que queria ser enterrada junto a seu esposo. Em junho de 2001, a Casa Real da Dinamarca autorizou a exumação de seu corpo do cemitério da catedral de Roskilde, em Copenhague, para que fosse levado à Rússia. O enterro coincidirá com o 140º aniversário da chegada da imperatriz à Rússia para se casar com Alexandre III.

A transferência encerra um processo que começou há oito anos, quando Nikolai Romanov, chefe da Casa Real russa, iniciou os primeiros contatos com Margrethe II da Dinamarca.

Na última sexta-feira, o ministro da Cultura russo, Alexandr Sokolov, assistiu à cerimônia de exumação do corpo de Maria Fiodorovna na capital dinamarquesa, que foi realizado segundo o ritual ortodoxo.

No dia seguinte, a rainha Margrethe II, o príncipe consorte Henrik e milhares de dinamarqueses deram seu último adeus à imperatriz no porto de Copenhague.

De 1928 até esse dia, os restos mortais da imperatriz permaneceram guardados na catedral de Roskilde, onde estão os corpos de todos os príncipes e monarcas dinamarqueses.

No enterro, os príncipes Frederik e Mary representarão a monarquia dinamarquesa. Também viajarão para São Petersburgo representantes de outras famílias reais, como Constantino da Grécia e o príncipe Michael de Kent da Inglaterra.

Maria Sofia Dagmar nasceu em 1847 em Copenhague e se converteu para a fé ortodoxa com o nome de Maria Fiodorovna para se casar com o então imperador russo, Alexandre III.

Inicialmente, Maria Sofia ia se casar com o filho mais velho de Alexandre II, mas ele morreu de tuberculose e foi o futuro Alexandre III quem se casou com ela. Juntos, tiveram seis filhos, entre eles Nicolau II.

Após a explosão da Revolução, a czarina fugiu para a península da Criméia, onde residiu durante dois anos em meio ao assédio do Exército vermelho. Várias tentativas de monarcas europeus de dar asilo à imperatriz e a seu filho fracassaram. Nicolau II estava detido na capital na época.

Em abril de 1919, um navio da Marinha inglesa conseguiu tirar Maria Fiodorovna da Criméia junto com genros, netos e suas duas filhas.

Após uma breve estadia na Inglaterra, a imperatriz voltou a seu país de origem, onde viveu seus últimos anos sem nunca ter aceitado a morte de seu filho Nicolau II, proibindo, inclusive, a realização de um funeral.





Fonte: EFE

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