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Educação/Vestibular
Sexta - 22 de Setembro de 2006 às 01:29

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SÃO PAULO - A Universidade Federal da Bahia (UFBA) quer ser a primeira universidade pública do País a acabar com o vestibular. Recém-reeleito, o reitor Naomar Monteiro de Almeida Filho dá como certo que o projeto já estará valendo para os alunos admitidos em 2008.

´A tragédia do vestibular é que a pessoa decide sua vida inteira num único dia´, diz Almeida Filho, o criador do sistema de cotas da universidade - desde 2005, 45% das vagas vão para negros e índios saídos de escolas públicas.

Além de ambicioso, o projeto é complexo, pois exigirá mudanças na estrutura da universidade. Serão admitidos mais alunos que hoje, e os cursos ficarão mais longos. Professores serão contratados. Haverá um ciclo básico de três anos, igual para todos os estudantes, de Dança a Medicina. É como se o vestibular se diluísse em três anos. Só depois disso, dentro da universidade, é que o curso será escolhido. Arquitetura, por exemplo, durará dois ou três anos.

Ainda não se sabe quantas vagas a universidade terá. Hoje a UFBA tem 24 mil alunos e 2 mil professores, proporção de 12 para 1. Segundo o reitor, o ideal é que haja 60 alunos para cada professor. Apesar do aumento, o novo número de vagas não será suficiente para absorver todos os recém-saídos do ensino médio (2º grau), o que exigirá uma seleção. Em vez do vestibular tradicional, será utilizado o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), prova elaborada pelo Ministério da Educação para todos os alunos do 3º ano do ensino médio. ´O Enem é nacional, é gratuito e avalia o potencial´, diz Almeida Filho.

Segundo o reitor, os vestibulares precisam ser extintos porque avaliam apenas o conhecimento acumulado, não o talento dos estudantes. ´Eu dificilmente passaria no vestibular. Quer dizer que não tenho condição de cursar a universidade?´, diz ele, que é médico. ´No Enem, eu teria nota boa.´

Interdisciplinar Os universitários cursarão três anos de um ciclo básico, com liberdade para escolher as disciplinas que quiserem, de todas as áreas. Isso, na visão da UFBA, fará com que deixem de ficar limitados às suas áreas e cegos às demais. Almeida Filho lembra que era esse o plano do educador Anísio Teixeira (1900-1971) ao idealizar a Universidade de Brasília (UnB). ´A idéia só não foi adiante porque os militares não deixaram. Não queriam universitários com espírito crítico.´

Modelo semelhante é aplicada na recém-inaugurada Universidade Federal do ABC, em Santo André (SP), onde o ciclo básico é um bacharelado em Ciência e Tecnologia. O sistema é parecido nos EUA e em países da Europa.

Na UFBA, só passarão para os cursos pretendidos os alunos que tiverem acumulado boas notas no ciclo básico. Quem não passar não terá perdido tempo. Receberá um diploma de bacharel.

O novo modelo ajudará a reduzir a evasão. Para educadores, nem todos os estudantes têm maturidade para escolher uma carreira aos 16 anos e, por isso, desistem do curso no meio do caminho. Nos três anos iniciais, além de mais tempo para decidir, os estudantes terão contato com disciplinas de várias áreas.

Não será preciso construir prédios para receber os novos alunos já que muitas salas ficam vazias em certos períodos do dia. Porém, será necessário dinheiro para a contratação de professores.

O vestibular não é obrigatório. As universidades têm autonomia para escolher a forma como selecionam seus alunos.

Dezenas de especialistas estão envolvidos nas modificações, que precisarão ser aprovadas pelo Conselho Universitário. O reitor crê que não terá dificuldades. Ele acaba de ser reeleito com 60% dos votos. O fim do vestibular foi sua principal bandeira de campanha.




Fonte: Agência Estado

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