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Cultura
Quarta - 20 de Setembro de 2006 às 14:52
Por: Danielle Costa

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O estande do Concurso Literário “Eu leio, Eu escrevo” foi um dos mais movimentados na manhã de hoje (20.09). Ele foi palco do lançamento do livro: “Cabelo Ruim?” – A história de três meninas aprendendo a se aceitar. A obra foi escrita pela jornalista Neusa Baptista e ilustrada pela designer Nara Silver.

A questão do preconceito racial é muito difícil de ser tratada, especialmente nas salas de aula. O livro tem o intuito de apoiar o trabalho de professores na orientação para a aceitação das diferentes etnias.

“Estou me sentindo muito feliz por estar aqui concretizando este trabalho, mas principalmente por perceber que as escolas têm demonstrado muito interesse no livro. Infelizmente o tema ainda está inserido na nossa realidade, e espero que o meu trabalho colabore com a aceitação de muitas pessoas e principalmente na construção de uma sociedade mais igualitária”, disse a autora.

O livro foi inspirado na história vivenciada pela autora e por outras pessoas que com ela conviviam durante a infância. É comum crianças negras se sentirem feias, não gostarem e não se aceitarem por causa dos seus cabelos, para muitos essa afirmação pode parecer meio “démodé”, mas é a mais pura realidade, pois a sociedade possui um padrão de beleza que exclui os negros.

O livro é destinado a crianças que estudam nas séries iniciais, mas pode despertar interesse em toda a sociedade. Segundo a professora Kerlla Amorim, piadinhas falando que o cabelo de outras crianças é de “bombril” são corriqueiras, apesar de serem menos freqüentes. Kerlla ainda acrescenta que o livro vem a calhar em ajudar as instituições a se orientarem na discussão e a trabalhar com as diferenças.

“Antigamente a gente não se via nas televisões e nem estávamos em evidência nos meios de comunicação, hoje é mais comum nos vermos. E não apenas como empregados ou coisas do tipo. Com a organização do movimento, estamos conquistando o nosso espaço. Trabalho com crianças e adolescentes e vejo constantemente a não aceitação da pele e do cabelo, resultado do padrão de beleza imposto pela sociedade. Com este livro vai ser mais fácil ilustrar que o nosso cabelo não é ruim e sim diferente”, disse Célia Silva Santos membro do Movimento de Inteligência Negra (MIN).

A obra é a primeira atividade do “Projeto Pixaim: Nem bom, nem ruim”, que visa combater a discriminação. As escolas que passarem pelo estande receberão um exemplar do livro gratuitamente e ainda podem fazer um cadastro para a autora realizar palestras sobre o preconceito. O projeto também prevê outras atividades, a próxima a ser planejada é a gravação de um documentário também tratando sobre o tema, desta vez com mulheres negras.

História –

“Cabelo Ruim?” conta a história de três meninas que ao se depararem com o preconceito contra o cabelo crespo em sala de aula assumem uma postura positiva em relação ao assunto e conseguem dar a volta por cima de uma forma divertida. “É uma maneira de mostrar à criança que seu cabelo é bonito sim e deve ser aceito como é. A pergunta que precisa ser feita é: ‘quem disse que o cabelo crespo precisa ser alisado para ser bonito?’”.

O projeto, patrocinado pela Lei Estadual de Fomento à Cultura, está sendo divulgado gratuitamente em escolas e outras instituições. Os interessados podem obter mais informações pelo telefone: (65) 3664 1984.





Fonte: Da Assessoria

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