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Repórter News - reporternews.com.br
Polícia Brasil
Quinta - 31 de Agosto de 2006 às 05:28

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A metade superior do corpo da empresária Edna Tosta Gadelha Souza, 51 anos, morta e esquartejada na segunda-feira pelo vigia Juarez José de Souza, 29, em Botafogo, no Rio de Janeiro, continua desaparecida, após buscas realizadas ontem pela polícia e bombeiros no Aterro Sanitário de Gramacho, das 11h30 às 13h.

Catadores de lixo foram alertados pela polícia de que devem avisar caso localizem os restos mortais, que foram colocados por Juarez em sacos plásticos na Rua São Clemente e recolhidos pela Comlurb. O quadril e as pernas foram localizados na noite de segunda-feira na Rua Sorocaba, por um catador.

Autor confesso do crime, Souza se negou a falar com jornalistas ontem à tarde, ao ser transferido da Polinter para carceragem na 39ª DP (Pavuna). Souza olhou ameaçadoramente para jornalistas e disparou: "Não vou falar. Não quero ouvir nada. É bom não insistir porque não quero ser mal-educado".

Preso terça-feira, ele é o homem que, na véspera, apedrejou, esfaqueou e partiu ao meio o corpo , dentro da Celvet Veterinária, em Botafogo.

Em conversa com policiais, Juarez relatou detalhes que ainda não haviam sido revelados. O serrote apreendido, por exemplo, foi empregado para serrar apenas a coluna de Edna. O abdômen foi "cirurgicamente" cortado a faca - a mesma usada, antes, para golpear o pescoço da empresária. Segundo Juarez, a arma foi colocada dentro do saco com a parte superior do corpo.

Antes de começar o ritual de brutalidade, Juarez andou pelas dependências da clínica por 40 minutos com Edna, mostrando a ela o local, que a mulher queria alugar para montar consultório dentário para filha. Nesse período, a vítima falou ao celular. Enquanto isso, ele pegou uma pedra de mármore e colocou em cima de geladeira. Quando Edna, de costas, desligou o telefone, foi golpeada duas vezes na nuca com a pedra.

Antes de desmaiar, a vítima teria tentado se defender porque o corpo de Juarez apresentava marcas de luta corporal.

Segundo policiais, Juarez chegou a dizer que o fato de a mulher ter ido à clínica veterinária parecia "coisa de macumba" - uma chance para ele se vingar por, um mês antes, ter sido chamado de "magrinho" por ela, em discussão pelo fato de ele não tê-la deixado estacionar carro em frente à clínica.

Polícia não pediu busca De acordo com o delegado da 10ª DP (Botafogo), Rodrigo Santoro, é improvável que o resto do corpo seja encontrado. Os bombeiros continuam à disposição para buscas, mas a polícia não solicitou serviço para hoje. Diariamente, Gramacho recebe 7,2 mil toneladas de lixo. "Vai ser muito difícil porque há muito lixo e, depois de revirado, ele é enterrado. Aí, fica impossível. Os catadores já estão avisados e, por experiência, poderão nos ajudar", afirmou o delegado.

A família, segundo funcionários do IML, está esperançosa que o resto do corpo será localizado.

Discussões com motoristas Moradores da Rua Bambina, onde a clínica veterinária funcionava há 27 anos, contaram ontem que a discussão com Edna não foi a única do vigia Juarez com motoristas que estacionavam seus carros na porta da garagem do estabelecimento, do qual ele tomava conta há pouco mais de um ano.

Segundo agentes que apuraram o caso, a empresária sequer devia se lembrar da rixa que teve com Juarez - caso contrário, não teria entrado no imóvel sozinha com ele, segunda-feira.

O crime foi o assunto de todos na rua. Um vendedor da mercearia ao lado da clínica disse que nunca poderia suspeitar de Juarez. Do outro lado da calçada, funcionário de um bar contou que o vigia passava despercebido. Uma senhora lembrou que, sempre que passava com seu cachorro, Juarez brincava com o animal. Chocados com o crime, vizinhos contaram não ter ouvido nenhum barulho ou percebido atitude suspeita do vigia após o crime. "Nunca notei que ele tivesse comportamento agressivo", afirmou um aposentado.

A polícia ainda não identificou o dono do imóvel, mas é possível que ele seja da região Sul Fluminense, onde Juarez também morou. Na fachada da clínica, placa anuncia aluguel ou venda do imóvel com celular de DDD 24. Corretores acreditam que a casa ficará "encalhada" em função do crime.





Fonte: O Dia

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