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Repórter News - reporternews.com.br
Cidades/Geral
Quarta - 09 de Agosto de 2006 às 16:35

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Nesta quinta-feira, dia 10 de agosto, às 9h, na Câmara de Vereadores de Querência, 912 quilômetros a nordeste de Cuiabá, acontece o lançamento do projeto Recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APP) e Promoção de Boas Práticas Agropecuárias na Bacia do Rio Xingu. A iniciativa é uma parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a campanha ´Y Ikatu Xingu, que pretende proteger e recuperar as nascentes e as matas ciliares do rio Xingu no Mato Grosso. Além de técnicos da instituição federal, também estarão presentes o prefeito de Querência, Fernando Görchen (PPS), secretários de Agricultura e Meio Ambiente de municípios vizinhos e representantes de outras organizações parceiras do projeto, como a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), o Instituto Socioambiental (ISA), sindicatos rurais e de trabalhadores rurais da região.

Contando com mais de R$ 750 mil do Fundo Setorial do Agronegócio, do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), e da própria Embrapa, a iniciativa tem o objetivo de realizar várias pesquisas e transferir tecnologias para assentados de reforma agrária, agricultores familiares, pequenos, médios e grandes produtores da região de Querência, Canarana, Água Boa, Ribeirão Cascalheira, Nova Xavantina e São José do Xingu. Durante três anos, serão realizados diagnósticos, estudos, cursos e oficinas sobre temas como qualidade da água, desmatamento, planejamento e tipologia de uso do solo, proteção e recuperação de APPs, plantio direto, manejo de pragas e pastagens, integração lavoura-pecuária e sistemas agroecológicos. Também deverão ser apoiadas campanhas de educação ambiental na região. A idéia é de que o trabalho possa ser replicado por toda a Bacia do Xingu no Mato Grosso.

O projeto marca a intensão da Embrapa de estabelecer uma presença mais efetiva no nordeste do Mato Grosso. Segundo a diretora-executiva da empresa, Tatiana Deane de Abreu Sá, ele também acompanha o esforço da instituição de intensificar o desenvolvimento de ações e tecnologias que tenham impactos socioambientais positivos (confira a entrevista realizada com Tatiana Deane abaixo).

Boletim da campanha `Y Ikatu Xingu – Qual o desafio que representa para a Embrapa esse projeto?

Tatiana Deane – Uma primeira questão é você abranger um território que tem vários tipos de vegetação e de uso da terra, que levaram a vários tipos de degradação, que vão demandar tipos de recuperação diferentes e que tem de levar em conta atores sociais também diferenciados. Para realizar qualquer iniciativa de recuperação ambiental em um contexto como este, devemos ter consciência dessa diversidade de situações e das questões sociais, econômicas e culturais que elas envolvem. A partir daí, podemos tentar identificar alguns problemas mais recorrentes e atuar estrategicamente em alguns eixos de ação para fornecer informações para multiplicadores na região.

Que diferencial este tipo de projeto apresenta?

O que representa um projeto como este para uma instituição criada em um momento em que a agricultura era voltada apenas para a produção e produtividade, onde a questão ambiental, social e cultural não estava embutida? Ao longo do tempo, a Embrapa foi acompanhando a evolução de uma consciência nacional e global que trouxe agendas diferentes. A instituição começou a mostrar que não estava preocupada apenas com produção das comoditties, mas também com o impacto ambiental do uso da terra. Agora, chegamos ao momento que outro desafio é o social. Este projeto entra neste momento em que estamos tentando avançar no sentido de trazer esta percepção social para nossa carteira de projetos.

O projeto pode continuar para além do prazo de três anos inicialmente previsto?

Isto vai depender muito de como vamos resolvendo os desafios que vão aparecendo. Temos experiências em que a equipe local vislumbrou a necessidade de tornar seus projetos de longa duração. Então, fomos agregando outros segmentos sociais e abrimos espaço para captarmos mais recursos. Temos um projeto na Amazônia com comunidades indígenas para desenvolvimento de alternativas às queimadas e manejo de capoeira que já dura mais de 15 anos. Este projeto começou no nordeste do Pará e hoje temos ações experimentais semelhantes em sete Estados.

Há uma crítica de que é muito pequena a presença da Embrapa no Mato Grosso, estado com o maior PIB agropecuário do País. Esta crítica procede? Se procede, por que isto ocorre? O projeto compensa de alguma forma o problema?

Não temos instalado no Estado um centro de pesquisa e desenvolvimento, mas uma Unidade de Execução de Pesquisa (UEP), em Várzea Grande. Apesar disso, existem ações e projetos desenvolvidos em todo o Mato Grosso por 15 de nossos centros. Também estamos trabalhando diretamente no Zoneamento Ecológico-econômico (ZEE) do Estado. Uma outra coisa importante é que existe um sistema nacional de pesquisa agropecuária, que, quando foi criado, contava com a Embrapa e suas representações estaduais. Até hoje existem nos Estados as Ematers e, no Mato Grosso, existe a Empaer [Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural]. Mas este sistema acabou se esfacelando. O que falta, então, é uma melhor orquestração entre órgãos federais e estaduais. Estamos investindo em estudos que possam subsidiar uma proposta de revitalização deste sistema de pesquisa agropecuária e sua implantação nos Estados da Amazônia. Até outubro, estes estudos devem ser concluídos.

Que recado a Embrapa deixa para os produtores e moradores da Bacia do Xingu no Mato Grosso?

Estamos trabalhando para agilizar e qualificar o ZEE, num trabalho de monitoramento, ordenamento e gestão territorial. Vamos trabalhar para oferecer opções para que o zoneamento possa ser exercido. Em primeiro lugar, temos uma atuação voltada para a manutenção da floresta em pé, onde vamos tentar aproveitar as experiências de manejo florestal que desenvolvemos em vários lugares da Amazônia para valorizar a floresta e a cadeia econômica florestal. Temos também uma linha de atuação destinada de uso sustentável de áreas já alteradas, com a disseminação de técnicas como plantio direto, integração lavoura-pecuária, sistemas agroflorestais, pastagens rotacionadas, pesquisas sobre doenças etc. Com o ZEE e instrumentos de fiscalização, teremos a possibilidade de reduzir o que campeia hoje na região, onde é muito mais fácil abrir novas áreas do que de investir em ganhos de produtividade, em detrimento da sustentabilidade ambiental. Não adianta você ter apenas o marco legal do ZEE, sem ter opções de como aplicá-lo.





Fonte: 24HorasNews

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