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Economia
Quarta - 17 de Maio de 2006 às 07:20
Por: Mariana Peres

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“O presidente Lula está convencido da crise agrícola que atinge os estados produtores agrícolas e o País”, resume o governador Blairo Maggi. A afirmação do governador foi fruto de uma reunião que ele articulou, junto a outros dez gestores estaduais, para mostrar ao presidente Lula o que está acontecendo nas economias estaduais. “Junto do ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente reconheceu que até agora as medidas anunciadas ao setor agropecuário foram paliativas. Saio satisfeito do encontro e vamos esperar até o dia 25”.

Como fruto da reunião, ficou estabelecido que uma das medidas que serão anunciadas se refere ao câmbio. “Está claro, pelo próprio presidente Lula, que não haverá interferência na condução da política econômica, mas que vai se estudar uma maneira para que as flutuações do câmbio oscilem positivamente, ou seja, para cima, ao contrário do que vem ocorrendo”. Mesmo com a promessa de alguma intervenção favorável ao câmbio, o presidente e sua equipe econômica não esclareceram de que forma a reivindicação será atendida.

Maggi disse que ficou acertado que no dia 25 o Ministério da Agricultura divulgará, juntamente com o Plano Safra 06/07, as medidas intituladas de “estruturantes” durante a reunião de ontem. “Chega de medidas paliativas. Lula entendeu que a recuperação da renda se faz por meio da retomada do passado, ou seja, da renegociação das dívidas”, exclama. O governador de Mato Grosso aponta que a culpa pelo endividamento rural não é conseqüência de uma má gestão da porteira para dentro, e sim da política econômica que insiste em manter o dólar desvalorizado. Em duas safras, o dólar desvalorizou 45%, ou seja, a atividade em todo o País deixou de movimentar R$ 20 bilhões.

Maggi argumenta que, como produtor rural, fica envergonhado pelo comportamento do setor, que a cada cinco anos tem de ficar batendo na porta do governo Federal. “Por isso, acredito que o presidente Lula se conscientizou da importância de se adotar medidas duradouras”, disse.

Houve o compromisso do presidente Lula de que ele não acionará a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para repreender o movimento nas BRs.

AVALIAÇÕES -- A pauta de reivindicações apresentada por oito dos onze governadores convidados -- pertencentes ao Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil -- foi dividida em três partes: emergenciais, de política agrícola e de renda e estruturais.

Cinco pontos das medidas emergenciais, segundo os próprios produtores rurais, vêm sendo pleiteados há muito tempo e foram reiteradas no documento entregue ao presidente da República, como a prorrogação de dívidas com três anos de carência e suspensão por 120 dias de todos os vencimentos de financiamentos e dívidas rurais, garantia de preços mínimos condizentes com custos de produção e a desoneração de impostos como ICMS, PIS e Cofins sobre os insumos agrícolas. A política cambial preencheu as propostas dos governadores quanto à política macroeconômica. Os governadores encaminharam ao presidente a necessidade de reduzir taxas de juros para frear entrada de dólares especulativos, autorização para o exportador abrir conta em dólares para também reduzir liquidez da moeda internamente e facilitar o comércio exterior.

Questionado sobre um conjunto de medidas anunciado na semana passada, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Homero Pereira, diz que o R$ 1 bilhão que será destinado à comercialização da soja tem efeito emergencial, mas não resolve a dívida acumulada, que em Mato Grosso deve beirar os R$ 6 bilhões em dois anos, e a comercialização só vale para quem tem produto. “Quem tem produto suficiente neste momento?”, questionou Homero, que foi a única liderança rural a participar do encontro dos governadores com Lula e os ministros da Fazenda e da Agricultura.

Homero reforça as afirmações do governador Blairo Maggi. “Um otimismo comedido, afinal, conversamos com o mandatário do País e ele se mostrou consciente de todo o problema. Na avaliação geral, foi um sucesso o encontro”.

Quem não saiu nada contente do encontro foi o deputado federal e presidente da Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (PFL-GO). Sem medir palavras, ele avaliou o encontro como mais um engodo. “Lula fez o mesmo teatro daquela audiência que tivemos com ele, há cerca de um ano, durante o Tratoraço”. O deputado disse que mais uma vez nada de concreto ficou estabelecido. “Ninguém [União] disse como as coisas serão feitas, mudadas ou corrigidas. Continuamos mobilizados na base”.

Além do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, participaram da reunião os governadores de Goiás, Alcides Rodrigues Filho, de Santa Catarina, Eduardo Pinho Moreira, do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, do Maranhão, José Reinaldo Tavares, do Tocantins, Marcelo de Carvalho Miranda, da Bahia, Paulo Souto, e de Rondônia, Ivo Cassol.





Fonte: Diário de Cuiabá

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