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Cidades/Geral
Domingo - 13 de Janeiro de 2013 às 10:36
Por: KATIANA PEREIRA

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Thiago Bergamasco/MidiaNews
Empresário afirma que é inocente e que está sofrendo condenação antecipada
Empresário afirma que é inocente e que está sofrendo condenação antecipada

O empresário do ramo da construção civil Rogério Amorim, de 39 anos, acusado pelo Ministério Público Estadual (MPE) de ser o mandante do assassinato da adolescente Maiana Mariano, de 16 anos, afirmou que é inocente. Em entrevista exclusiva ao MidiaNews, na última quarta-feira (9), ele disse que já foi condenado pela sociedade.

Segundo a promotora de Justiça Lindinalva Rodrigues Dalla Costa, ele tramou a morte da adolescente, que foi covardemente estrangulada por Paulo Ferreira, caseiro de uma chácara.

"Eu tenho que usar boné e óculos para poder andar pelas ruas. Quando as pessoas me reconhecem, apontam o dedo e falam: ‘olha lá o Rogério monstro’"

Apesar das acusações, o empresário conseguiu na Justiça o direito de responder pelo crime em liberdade, após a concessão de um habeas corpus, no dia 19 de dezembro, impetrado pelo seu advogado Waldir Rodrigues Caldas.

Com uma fisionomia mais "leve" do que na época em que compareceu à audiência de pronúncia e instrução no Fórum de Cuiabá, em agosto do ano passado, Rogério reclamou que não pode mais frequentar locais públicos - e que tem que se disfarçar para não ser reconhecido.

“Eu tenho que usar boné e óculos para poder andar pelas ruas. Quando as pessoas me reconhecem, apontam o dedo e falam: ‘olha lá o Rogério monstro’. Não passei por nenhum julgamento, mas já fui condenado pela sociedade”, disse.

Ele também reclamou que as consequências da acusação atingiram a sua família, principalmente os filhos.


“Meus filhos tiveram que mudar de escola, foram vítimas de bullying pelos colegas, perderam amigos. Minha mãe também passou a ser apontada na rua, a minha esposa também, tudo mudou e essa condenação não tem como retomar. São marcas eternas”.

Relacionamento

Rogério relatou que começou a se relacionar com Maiana quando passava por um "período difícil" em seu casamento com Calisângela de Moraes. Segundo o empresário, a menor lhe trazia "paz".

“Quando me relacionei com Maiana, estava casado e passando por uma fase difícil no relacionamento. Eu a conheci através de uma vizinha. Comecei a me envolver com ela sem compromisso nenhum e, depois de um ano, cheguei a um ponto em que eu pedi para a minha esposa um tempo para pensar realmente o que eu estava querendo”, disse.

 
Ele afirmou que "gostava muito" de Maiana, e que ela teria sido uma solução diante das constantes brigas com a esposa.

“Eu gostava muito da Maiana e estava em uma fase difícil. Dentro de casa era uma briga constante, perante as crianças e outras pessoas. E quando eu estava com ela, eu não tinha problemas, ela me passava paz. Por não ter tanta experiência, ela não me fazia cobranças. Ela era uma pessoa que me trazia ânimo, ela não me perturbava”, disse.

O empresário disse ainda que a menor passava por diversos problemas familiares e financeiros. Esse seria um dos motivos que fez com que ele se aproximasse dela.

"Eu gostava muito da Maiana e estava em uma fase difícil. Dentro de casa era uma briga constante, perante as crianças e outras pessoas. E quando eu estava com ela, eu não tinha problemas, ela me passava paz"

“Senti que a Maiana era uma pessoa que não tinha oportunidade e um porto-seguro para poder crescer na vida. Ela não tinha disciplina, segurança, apoio da sociedade e também da família. Ela era discriminada pela condição social e passava por sérios problemas financeiros e psicológicos. Ela nem estudava na época que a conheci”, relatou.

Exigências

O apoio dado por Rogério para a menor foi acompanhado de algumas exigências. Ele disse que pediu para Maiana mudar o comportamento e também se vestir de modo “decente”.

“Fiz algumas exigências a ela. A primeira foi estudar. Também exigi que ela se vestisse de forma decente. Ela saía muito e eu também não gostava, porque ela não tinha idade para isso. Ela me dizia que queria ser advogada e eu falava pra ela: "então você vai ser advogada"”, disse.

Inocência

O empresário afirma que é inocente e que foi envolvido em um plano tramado pelo servente de pedreiro Paulo Ferreira, acusado de ter matado Maiana.

Rogério alega que o depoimento inicial de Paulo, onde confessava o crime e que teria sido contratado a mando empresário, foi mudado durante audiência de pronúncia. 

Na audiência, Paulo Ferreira e Carlos Alexandre - apontados pelo MPE como executores do crime - disseram que mataram a menor porque ela os teria ameaçado, supostamente na tentativa de forçá-los a assaltar a empresa de pré-moldados de Rogério.

A dupla disse que Maiana estava arquitetando um plano para roubar cerca de R$ 20 mil do empresário, além de uma caminhonete. Eles também disseram que um terceiro homem, suposto amante da menor, também iria participar do assalto.

Paulo alegou que plano de roubo era de Maiana e o dinheiro seria dividido igualmente entre Paulo e Carlos Alexandre. A adolescente ficaria com a caminhonete, que já teria destino certo.

Ele disse que Maiana morreu porque teria havido discussão entre os dois e ele teria ficado com medo de ser prejudicado.

“Não tive envolvimento nenhum na morte dela. Foi uma surpresa toda essa história e a minha vida acabou depois disso. Nunca ninguém da minha família foi preso. Eu realmente tinha negócios com ele, mas eram sobre as obras que ele prestava serviço para mim, nunca contratei o Paulo para outra coisa”, relatou.

Segundo o empresário, no dia 21 dezembro de 2011, data em que Maiana desapareceu, ele encontrou Paulo, que estava acompanhado de um rapaz, na frente da empresa de pré-moldados que possui no bairro Três Barras.


“Ele estava parado perto da empresa, o carro dele estava um pouco longe. Perguntei o que ele estava fazendo e ele disse que tinha ido receber o pagamento de um serviço de obras que eu comentei. Eu estava sem dinheiro no dia e pedi para ele voltar depois. Foi somente isso”, informou.

Desaparecimento

"Eu achei que ela estava na rua "festando", inicialmente eu fiquei muito bravo. Depois, começaram várias ligações dizendo que ela estava em São Paulo, em um bar, em posto de combustível... Foi tudo muito confuso".

O desaparecimento de Maiana foi comunicado no dia 22 de dezembro à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), pelo próprio Rogério.

“No dia que ela desapareceu, eu dei o cheque para ela comprar uma sandália, eu nunca tinha feito isso, mas estava sem dinheiro no dia e ela queria muito ir comprar. Minha mãe disse que iria acompanhá-la e ela negou, disse que não queria incomodar. Foi a última vez que eu a vi”, revelou.

Maiana não voltou para casa naquela dia e Rogério imaginou que ela estivesse saído com alguém. Neste noite ele foi buscar consolo nos braços de Calisângela.

“Eu achei que ela estava na rua "festando". Inicialmente eu fiquei muito bravo. Depois, começaram várias ligações dizendo que ela estava em São Paulo, em um bar, em posto de combustível... Foi tudo muito confuso”, disse.

"Arrependimento"
A morte de Maiana e a tragédia que se abateu sobre a sua família causou arrependimento, segundo o empresário.


“Eu me arrependo de ter chegado a esse ponto. Eu não imaginava que ia acabar dessa forma. Nunca passou pela minha cabeça. Eu sinto falta dela, mas hoje eu não posso nem ir no cemitério visitar o túmulo dela. É uma tragédia que jamais vou esquecer”, disse.

MPE: empresário é mandante

Maiana Vilela desapareceu no dia 21 de dezembro de 2011. A denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) afirma que a jovem foi vítima de um plano, tramado por Rogério Amorim.
 
Segundo o MPE, o empresário contratou Paulo Ferreira e Carlos Alexandre para executarem a menor.

Ele teria dado um cheque de R$ 500 para Maiana descontar na agência do Banco Itaú, no CPA II.

Ela teria que levar R$ 400 do total para pagar um suposto caseiro, em uma chácara, na região do bairro Altos da Glória.

A denúncia diz que esse pagamento era parte do plano de Rogério para atrair Maiana para o seu algoz.

A garota foi até a chácara, entregou o dinheiro para Paulo, que a matou em seguida, por asfixia. Ele teve a ajuda de Carlos Alexandre.

A dupla teria colocado a menor no banco traseiro de um automóvel Uno, de cor prata, que pertencia a Paulo.

Eles teriam levaram o corpo de Maiana até a empresa de Rogério, no bairro Três Barras, para que ele comprovasse a morte da ex-namorada.

Depois disso, o corpo da menina foi enterrado em uma área afastada, na estrada da Ponte de Ferro, a cerca de 15 km de Cuiabá.

O corpo de Maiana foi resgatado por policiais, após terem prendido os acusados.






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