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Internacional
Terça - 13 de Dezembro de 2005 às 11:55

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O Governo chinês assinalou hoje que está "em desacordo" com as informações que comparam a recente repressão violenta de um protesto em Dongzhou, no sul do país, com o massacre na Praça da Paz Celestial de 1989, e afirmou que a China ainda está investigando o incidente.

O porta-voz do Ministério de Exteriores chinês, Qin Gang, respondeu assim às perguntas da imprensa estrangeira sobre o fato ocorrido nessa cidade da província de Cantão, onde a Polícia disparou contra manifestantes e matou pelo menos três pessoas, embora os meios de comunicação estrangeiros tenham falado de 30 mortes.

Qin, no entanto, negou-se a responder a maior parte das perguntas, alegando que seu Ministério "não tinha informação específica", e inclusive pediu aos jornalistas que não fizesem perguntas sobre o assunto.

"Por favor, dirijam suas questões às autoridades pertinentes", disse o porta-voz, que não soube esclarecer quais eram essas fontes (o Governo local de Dongzhou e o municipal de Shanwei não responderam às perguntas da imprensa estrangeira nos últimos dias).

O protesto, em 6 de dezembro, ocorreu quando mais de 500 pessoas enfrentaram a Polícia exigindo indenizações por suas terras desapropriadas para a construção de uma central elétrica, uma reivindicação que começou há cinco meses.

Nove manifestantes foram detidos, informou hoje a imprensa independente.

É a primeira vez que a Polícia dispara contra a multidão depois do massacre de estudantes na Praça da Paz Celestial (1989), o que deu lugar às comparações na imprensa estrangeira, que foram criticadas por Pequim.

A Polícia de Dongzhou aumentou o número de efetivos e as medidas de segurança, com controles de veículos que entram na cidade e barricadas em alguns dos acessos, segundo o jornal South China Morning Post.

Por outro lado, 50 intelectuais chineses (entre eles conhecidos dissidentes como Ding Zilin, líder das "Mães da Praça da Paz Celestial") assinaram uma carta de condenação pelos "mortais ataques" aos camponeses de Dongzhou.

"Expressamos nossa mais forte indignação e repúdio contra as autoridades de Cantão, que fizeram com que este sangrento incidente ocorresse", assinala o documento.




Fonte: Terra

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