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Repórter News - reporternews.com.br
Economia
Domingo - 27 de Novembro de 2005 às 09:51

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O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, divulgou neste sábado, em Genebra, o primeiro rascunho do acordo que será analisado na reunião ministerial da instituição em Hong Kong, no mês que vem.

O texto "não pretende representar um acordo geral" e "está aberto para mudanças", escreveu Lamy. Segundo ele, o rascunho reflete "diferenças substantivas" que persistem em várias áreas de negociação.

"Espero que isso convença eles (países-membros) de que vale a pena dar passos adiante", comentou o diretor-geral em entrevista coletiva.

O maior impasse das negociações da Rodada Doha está no setor agrícola.

Equilíbrio

O G20, grupo do qual fazem parte Brasil e Índia, e os Estados Unidos argumentam que a União Européia não está oferecendo o suficiente para abrir seu mercado agrícola.

Um dos pontos de discussão é o corte de tarifas de importação para produtos agrícolas. O G20 defende um corte médio de 54% e os Estados Unidos, 70%. Bruxelas disse que não recua em sua oferta de um corte médio de 39%.

O rascunho apresentado por Lamy não traz definições quanto a esses números, mas, sim, apenas reúne as propostas feitas pelos países-membros durante esses quatro anos de negociações da Rodada Doha.

"Esse texto não está equilibrado. Precisa haver um aperfeiçoamento em agricultura e Nama (produtos não-agrícolas)", comentou Clodoaldo Hugueney, embaixador do Brasil na OMC.

Lamy não discorda: "Acho que todos concordamos que nós precisamos trabalhar duro para aperfeiçoar esse texto antes de Hong Kong".

No dia 2 de dezembro, Brasil, Índia, Estados Unidos e União Européia voltam a se reunir em Genebra para tentar diminuir as diferenças entre suas ofertas.

Hong Kong 2

Os negociadores da Rodada Doha já deixaram claro que não será possível resolver todos os impasses comerciais na reunião ministerial da OMC, em Hong Kong.

Os ministros falam em "baixar as expectativas" para Hong Kong e, desse modo, tentam evitar que palavras como "fracasso" ou "desastre" sejam citadas ao final do encontro como ocorreu em Cancún, em 2003.

Com uma agenda mais minimalista, será mais fácil falar em sucesso. "Está claro que Hong Kong não vai ser o jogo final. Talvez seja o início da final", comentou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em reunião realizada na semana passada, em Genebra.

Os negociadores falam sobre um "plano B" para Hong Kong.

A idéia seria dividir as metas de liberalização comercial, isto é, deixar algumas questões em aberto para que sejam resolvidas em uma outra reunião ministerial por volta de março ou abril, uma "Hong Kong 2".




Fonte: BBC Brasil

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