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Economia
Domingo - 06 de Março de 2005 às 17:31

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O governador Blairo Maggi afirmou acreditar em uma “solução negociada” do Itamaraty para a questão do embargo do governo russo à carne mato-grossense. “Não é justo Mato Grosso ser penalizado com esse embargo, pois o local onde ocorreu o caso de aftosa fica há mais de 900 quilômetros de Mato Grosso. Acredito que em breve a nossa carne estará liberada para a Rússia”, afirmou o governador.

Ele disse reconhecer o compromisso das autoridades russas com a garantia da segurança humana, assim como de saúde animal e vegetal, o que pode exigir medidas excepcionais. “Contudo, nosso entendimento indica que as condições sanitárias da pecuária mato-grossense não justificam tais medidas”, mesmo porque estamos distantes da região onde foi registrado o surto.

O ex-ministro Pratini de Moraes e atual presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), que esteve em Cuiabá participando de um seminário internacional de infra-estrutura, também defendeu uma ação enérgica do governo brasileiro contra a Rússia, que não retirou o embargo contra Mato Grosso e Tocantins nas exportações de carne. "Eu sugeri em Brasília que, se a Rússia não retirar o embargo, o Brasil não apóia a entrada daquele país na OMC [Organização Mundial do Comércio]. Mato Grosso está a quase mil quilômetros do local onde houve o foco de aftosa. Foi penalizado só porque tem uma fronteira física? Quando existe problema de aftosa na Suíça, por acaso a Alemanha é penalizada? Estamos querendo que se aplique aqui as mesmas regras que eles aplicam lá", ressaltou Pratini de Moraes.

Apesar de na última terça-feira o governo russo ter retirado o embargo de mais seis Estados brasileiros, Mato Grosso, que possui o maior rebanho bovino do País, com 28 milhões de cabeças, ficou de fora porque estaria muito próximo ao Amazonas, onde se verificou um foco de aftosa que motivou o embargo. Pratini de Moraes se manifestou sobre o assunto durante os debates realizados durante o Seminário Internacional de Infra-Estrutura Intermodal e que foram abertos pelo ex-ministro na condição de moderador.

O ex-ministro disse ainda que os países importadores de carne devem observar o princípio de que o Brasil é um país continental. "As distâncias físicas num país continental estabelecem verdadeiras barreiras naturais com a Floresta Amazônica para qualquer transmissão de doença", afirmou.

A decisão russa beneficiou apenas Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e São Paulo, que poderão reiniciar o embarque de carnes bovina e suína para a Rússia assim que provarem que estão livres da febre aftosa.




Fonte: Diário de Cuiabá

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