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Saúde
Segunda - 28 de Fevereiro de 2005 às 17:44
Por: Paula Menna Barreto

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Brasília – Um menino indígena morreu no último sábado (26) em Dourados, Mato Grosso do Sul. Antes dele, cinco crianças já haviam morrido de desnutrição na região de Dourados. Entretanto, segundo a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), a causa da morte de Róbson Garcia Fernandes, de dois anos, não foi a fome. "Não tem nenhuma relação com situação de desnutrição", disse o diretor do Departamento de Saúde Indígena da Funasa, Alexandre Padilha.

Ele esclareceu que a criança não morava em área indígena. "A criança morava em uma fazenda onde os pais trabalham, a 12 quilômetros de Dourados", informou Padilha. "Encaminhamos um médico, e suspeitava-se de um acometimento renal". Padilha citou dados da Funasa de um acompanhamento médico feito quando o menino morava na aldeia, demonstrando que ele não teve em nenhum momento em situação de desnutrição.

Dez médicos, cinco nutricionistas e dez enfermeiros intensificaram as ações de atendimento à saúde dos índios da etnia Guarani-Kaiowá no fim de semana passado, nas aldeias Bororó e Jaguapiru. Segundo a Funasa, no primeiro dia da ação foram atendidas 192 crianças com até cinco anos de idade, entre as 250 consideradas desnutridas. O mutirão da saúde, como está sendo denominada a ação, vai continuar por tempo indeterminado, de acordo com o órgão.

Ainda segundo Padilha, a Funasa também esteve na fazenda onde moram cerca de 45 indígenas, que trabalham lá há 12 anos, para fazer uma avaliação da saúde daquela população. "Junto com a Secretaria municipal de Saúde, avaliamos que todas as crianças na fazenda estão bem nutridas", afirma.

Hoje, a equipe de saúde retomou as visitas domiciliares nas aldeias para dar prosseguimento ao trabalho de avaliação das crianças em situação de desnutrição. Os profissionais também estão acompanhando a saúde das 31 crianças internadas no Centro de Recuperação Nutricional de Missão Kaiowá e as que estão em tratamento nos hospitais da Mulher, em Dourados, e da Missão Kaiowá, 19 no total, com diferentes patologias, segundo a Funasa.

Para o diretor de Saúde Indígena da Funasa, a situação ainda preocupa, mas o trabalho está sendo feito com vários órgãos do governo federal. "Estamos com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Ministério do Meio Ambiente e Funai para tentar reduzir cada vez mais o problema da desnutrição", disse ele.

A comissão criada para coordenar as ações de suplemento nutricional recebeu, neste fim de semana, 50 quilos de leite. Hoje, chegam a Dourados 1.200 cestas básicas do Ministério do Desenvolvimento Social. Ao todo, são 22,8 toneladas de alimentos.





Fonte: Agência Brasil

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