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Repórter News - reporternews.com.br
Internacional
Sábado - 26 de Fevereiro de 2005 às 17:37
Por: Juan Lara

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O estado de saúde do Papa evolui bem, mas amanhã, domingo, pela primeira vez em seus 26 anos de pontificado, João Paulo II não rezará o Ângelus devido a sua impossibilidade de falar.

Em sua edição vespertina, o jornal vaticano L'Osservatore Romano chamou a reza de "um ângelus de esperança" em sua manchete, afirmando em seu editorial que "na Cátedra da Policlínica Gemelli, o Papa se unirá à doce e forte verdade de um Ângelus alegre, cheio de esperança".

A publicação da Santa Sé acrescenta que, além do imenso valor desta oração, João Paulo II "se entregará mais uma vez ao signo vigoroso do Totus Tuus".

Totus Tuus (Todo teu) é o lema que Karol Wojtyla elegeu para seu pontificado e, no Vaticano, estas palavras são consideradas a confirmação de sua total entrega ao Papado e que ele está disposto a continuar à frente da Igreja enquanto Deus quiser.

A frase, incluída no escudo papal, voltou à atualidade depois que, após ter sido submetido a uma traqueostomia e levado novamente para seu quarto na Policlínica Gemelli na noite da última quinta-feira, João Paulo II escreveu em um papel: "Continuo sendo Totus Tuus". É a confirmação de que ele pensa em continuar governando ("servindo", em linguagem eclesial) até o fim de seus dias.

Embora o Papa não possa dirigir a reza do Ângelus, já que não pode falar, vai acompanhá-la pela televisão em seu quarto de hospital, onde está há três dias e onde recebeu as visitas, entre outros, do cardeal espanhol Julián Herranz, e do presidente da Câmara dos Deputados italianos, Pierferdinando Casini.

Herranz, presidente do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, disse que o Papa está "muito bem, porque se sente continuamente acompanhado pela Virgem". Já Casini ressaltou que a serenidade que observou no secretário particular do pontífice, Estanislao Dziwisz, é a prova de que "tudo vai bem".

"Existe uma atmosfera de serenidade e confiança. Isso reforça todas nossas esperanças de uma rápida recuperação e a volta do Papa. A serenidade do monsenhor Dziwisz é a prova de que tudo está bem", disse Casini.

Em relação a quando ele receberá alta, o silêncio e a divisão de opiniões são totais no Gemelli e no Vaticano. Fontes vaticanas não descartam que isso possa acontecer em meados da semana, mas outros acreditam que demorará mais, já que o Papa está muito fraco e sendo tratado com antibióticos para evitar infecções, que são as mais temidas nestes momentos.

A cautela também é total sobre se ele recuperará ou não sua voz. No Vaticano, cardeais e outras personalidades evitam se pronunciar sobre a eventualidade de um Papa "sem voz", e todos ressaltam que a dificuldade de falar não impede que o pontífice expresse seu pensamento, o que pode fazer escrevendo - como já fez após sair da sala de cirurgia - ou por gestos.

A possibilidade perder a voz fez com que alguns meios de comunicação já tenham falado no "Papa do silêncio" e na fase "do Pontificado do silêncio e dos gestos". Fontes vaticanas garantiram à EFE que, após 26 anos de Pontificado e conhecendo as características de Karol Wojtyla, basta um olhar para saber o que ele quer.

Enquanto isso, os fiéis rezam em todas as igrejas do mundo para que o Papa melhore e recupere a voz, e no Vaticano, passado o susto inicial, o trabalho segue normalmente.

Prova disso é que todos os órgãos vaticanos estão funcionando, e o Papa, apesar de sua hospitalização, continua desenvolvendo seu trabalho, ainda que de forma reduzida, como máximo chefe da Igreja Católica, nomeando núncios e membros das Congregações dos Bispos e de vários conselhos pontifícios.

Embora os poderes do Papas sejam absolutos e impossíveis de serem delegados a outra pessoa, nos últimos dias ganhou maior importância o papel do cardeal secretário de Estado, Angelo Sodano, o "número dois da Santa Sé", que é o encarregado de fazer chegar ao Pontífice aqueles temas que não podem esperar e nos quais é preciso tomar uma decisão.

Também cresceu o papel de seu secretário, o discreto Dziwisz, que desde 1966 está a seu lado e, neste momento, tornou-se uma referência, fazendo com que os observadores vaticanos digam que ele, "mais do que a sombra do Papa, passou a ser o Papa na sombra".





Fonte: EFE

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