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Segunda - 14 de Fevereiro de 2005 às 20:07
Por: LUCIENE OLIVEIRA

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Quarenta e nove famílias foram beneficiadas pelo Programa Nossa Terra, Nossa Gente no município de Paranaíta/MT (910 Km ao norte de Cuiabá). O Programa é um projeto de criação e regularização de assentamentos para chefes de famílias com mais de 45 anos, desempregados e vítimas do êxodo rural

No Município, a Vila Rural Boa Esperança foi implantada no mês de outubro do ano passado para atender a demanda de trabalhadores rurais existente na região. A Vila possui 100 hectares com lotes de 2 ha. para cada família assentada.

As famílias beneficiadas foram selecionadas por 13 entidades do município (Rotary Club, Maçonaria, Clube de Mães, Filhas do Irã, Igrejas Católica, Presbiteriana, Batista, Assembléia de Deus, etc.). Cada entidade indicou cinco famílias e o Intermat (Instituto de Terras de Mato Grosso) selecionou três dentre as que atendiam aos critérios de idade, moradia e aptidão agrícola.

“Ter um lugarzinho sossegado para morar é outra coisa”, diz a assentada Eva Dorilia, que foi morar no lote para fugir do aluguel. Na sua chácara, ela e o esposo plantam amendoim, arroz, milho, batata doce, mandioca, abóbora, quiabo, além da criação de galinhas e porcos.

Devido ao atraso na construção das casas, muitas famílias ainda não estão morando definitivamente na vila rural. Apenas 27 casas estão prontas e somente 8 famílias estão vivendo na área. “Elas receberam os lotes no período chuvoso e isso impediu o andamento das obras. Acreditamos que até o final do mês de abril todas estarão lá”, disse o Diretor de Assentamento do Intermat, Sidney Durante.

Mesmo não morando ainda nos lotes as famílias já estão cuidando da terra e produzindo alimentos para o consumo. “Jamais na minha vida imaginei ter uma chacrinha pra viver. Hoje me encontrei aqui. Viver no que é do outro, a gente nunca está à vontade. Viver no que é da gente, a gente vive mais tranqüilo”, declarou o assentado Miguel Texeira de Oliveira.

De acordo com o prefeito de Paranaíta, Pedro Porta Aberta, a Prefeitura vai oferecer aos assentados toda a infra-estrutura necessária para que as famílias possam sobreviver da produção. “Esse Programa Nossa Terra, Nossa Gente, é a saída. Você tem que dar a terra para pessoa, mas tem que oferecer dignidade com educação, transporte e saúde. Como a vila fica perto da cidade, fica mais fácil levar a infra-estrutura. Meu sonho é tentar assentar mais 50 famílias em Paranaíta”, afirmou o prefeito.

Após a conclusão do levantamento do número de crianças em idade escolar, a prefeitura deve colocar à disposição dos assentados um ônibus para fazer o transporte dos alunos até a escola.

O prefeito disse ainda que vai criar alternativas para agricultura familiar através da ativação da agroindústria e da melhoria da bacia leiteira.

A agroindústria existente na cidade possui toda a estrutura básica para aproveitar a produção de frutas das chácaras. Ela oferece a possibilidade de extração de polpas, fabricação de doces e embalagem de água de coco. Sua câmara fria comporta 5 mil toneladas. Os alimentos industrializados poderão ser usados na merenda escolar, resultando em melhorias na qualidade das refeições dos alunos.

De acordo com a Secretaria de Agricultura do Município, a região é grande criadora de gados, com capacidade de produzir mais de 15 mil litros de leite por dia. Por falta de incentivos fiscais os dois laticínios da região produzem menos da metade da sua capacidade.

“Vamos elaborar um projeto de produção para atender os assentados. Queremos usar o excedente da produção na Agroindústria”, afirmou o secretário de Agricultura, Willians Antonio Gonçalves. A Prefeitura precisa conseguir no Ministério da Agricultura uma autorização para iniciar os trabalhos da agroindústria.

Dívida Social. O Presidente do Intermat Jair Mariano, diz que o Programa Nossa Terra Nossa Gente, se esforça para desenvolver ações que visam resgatar a dívida social que o Estado de Mato Grosso tem com os trabalhadores rurais. “Esse é um programa de cunho social de resgate da cidadania. Hoje muitas famílias estão com uma vida extremamente difícil, vivendo nas periferias das cidades em condições desumanas e sem acesso ao mercado de trabalho”, afirma o presidente.





Fonte: Assessoria/Intermat

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