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Repórter News - reporternews.com.br
Cidades/Geral
Terça - 26 de Outubro de 2004 às 08:04

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Auditores da Receita Federal, responsáveis pelo inventário dos bens de João Arcanjo Ribeiro, tornados indisponíveis pela Justiça Federal, descobriram que o dinheiro de aluguéis de alguns imóveis do “Comendador” está sendo repassado para seus prepostos ao invés de ser depositado em conta da Justiça.

Segundo informações levantadas pela auditoria, o aluguel correspondente a uma galeria e lojas localizadas num estacionamento na esquina da avenida Fernando Corrêa com a Tancredo Neves está sendo repassado diretamente a Diniz Almeida Queiroz Júnior, genro de Arcanjo. O juiz Julier Sebastião da Silva, titular da 1ª Vara Federal, disse que vai determinar a abertura de um inquérito para investigar lavagem de dinheiro.

Os contratos das salas comerciais são feitos pela Comati Comercial de Alimentos Ltda, que alugou de Arcanjo a galeria e as lojas do estacionamento e pelas quais paga mensalmente R$ 3,5 mil. A Comati, por sua vez, subloca as salas comerciais. Duas destas salas foram alugadas para uma empresa pela importância mensal de R$ 2.550. Procurada pela reportagem, a gerência da Comati limitou-se a informar que nada declararia.

“Todos os que estão alugando ou administrando bens de Arcanjo que não prestarem contas à Justiça vão responder inquérito policial por lavagem dinheiro, participação de organização criminosa e desobediência a uma decisão judicial”, afirmou Julier, alertando, ainda, que o prazo para que procurem a Justiça está terminando. Nessa condição, ele lembrou que estão os administradores da rede de postos de combustíveis e do Rondon Plaza Shopping, em Rondonópolis [construído por Arcanjo com empréstimos obtidos no Uruguai em operações que a Justiça considerou como lavagem de dinheiro].

COBRADORES DE ARCANJO - Apesar de a Polícia Federal ter apreendido cheques, promissórias nas lojas de factoring de Arcanjo, as quais devem ser resgatadas junto à Justiça Federal, Julier revelou que muitas promissórias estão em poder de pessoas que supostamente estão representando Arcanjo. “Existe uma pessoa chamada Rodrigo que está ligando para credores de Arcanjo. Ele diz que possui cheques e faz ameaças, cobrando valores exorbitantes. Estas pessoas devem procurar a Polícia Federal para denunciar. Estes valores devem ser pagos para a Justiça. Quem pagar direto para cobradores de Arcanjo vai responder a processo por lavagem de dinheiro”, alertou Julier.

Em dezembro passado, quando o juiz Julier Sebastião da Silva assinou a sentença condenando Arcanjo a 37 anos de prisão, ele decretou também o perdimento em favor da União de todos os bens do homem que é acusado de ser o chefe do crime organizado de Mato Grosso e que se encontra preso no Uruguai à espera de extradição. Até agora, mais de 1.600 imóveis já foram inventariados.




Fonte: Diário de Cuiabá

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