Publicidade
Repórter News - reporternews.com.br
Politica Brasil
Segunda - 09 de Agosto de 2004 às 10:38

    Imprimir


Há 20 anos atrás, no início de agosto, era celebrado o acordo político que constituiu a Aliança Democrática, abrindo caminho para a vitória política de Tancredo Neves e José Sarney no Colégio Eleitoral (a eleição ainda era indireta), interrompendo a presença de generais na Presidência da República e praticamente selando a série de ações que já vinham ocorrendo na direção da redemocratização.

As indecisões do Palácio do Planalto no encaminhamento do problema sucessório, aliadas ao esgotamento do modelo militar, que já vinha contestado nos últimos anos, criou condições para uma solução civil e político-partidária.

O general João Figueiredo fazia um jogo complicado no próprio partido, vetava alguns nomes, estimulava outros e parecia não querer ninguém. Já se suspeitava que não recusaria uma prorrogação, que nunca ganhou contornos, tal o seu desgaste na sua própria base política.

Nessas marchas e contra-marchas, seu partido de sustentação, o PDS, começou a esfacelar-se. Suas principais lideranças viam suas esperanças em concorrer desarticuladas pelo próprio Presidente, que não liderava mais ou dava a entender isso.

Desde sua cirurgia cardíaca, alegava-se, o general Figueiredo não era mais o mesmo. Não tinha entusiasmo pelo governo e muito menos pela sucessão, mas esse "desinteresse" pelo processo eleitoral ao mesmo tempo reforçava algumas desconfianças sobre seus reais propósitos. Descontentes, desorientados com os rumos do governo e buscando uma saída política para o impasse que se desenhava, as lideranças mais experientes e liberais do PDS tomaram outro rumo.

A Aliança Democrática surgiria, assim, da união da Frente Liberal(dissidência do PDS, ex-Arena) com o PMDB de Ulysses Guimarães. Os dissidentes, tendo Aureliano Chaves, Marco Maciel, Jorge Bornhausen, entre muitos, vinham de um rompimento com o general João Figueiredo e sentiam que o momento era o mais adequado para ir ao encontro das aspirações nacionais, que se manifestava, cada vez mais vigorosamente, através dos comícios das Diretas.

Nem a rejeição da emenda Dante de Oliveira, que previa eleição direta, mudou o cenário. E os experientes líderes dissidentes sentiram o momento.

O manifesto à nação lançado no início de agosto dizia que era constituída a Aliança Democrática visando instituir um governo que promovesse o encontro do Estado com a sociedade e concretizar o bem-comum. E chamava atenção para o fato de que o País vivia gravíssima crise na história republicana e a hora não admitia vacilações: "Só a coesão nacional, em torno de valores comuns e permanentes, pode garantir a soberania do País, assegurar a paz, permitir o progresso econômico e promover a justiça social".

Com maioria parlamentar no Colégio Eleitoral, a Aliança Democrática elegeu em 1985 a chapa Tancredo/Sarney, tendo como opositor Paulo Maluf. No dia 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves e José Sarney foram eleitos, e, em 24 de janeiro de 1985, o PFL(Partido da Frente Liberal) se constituía oficialmente.

Tancredo, porém, não pôde assumir pois acabou hospitalizado na véspera da posse, assumindo o vice eleito, José Sarney. Tancredo morreu no dia 21 de abril de 1985.





Fonte: PPP

Comentários

Deixe seu Comentário

URL Fonte: http://reporternews.com.br/noticia/376887/visualizar/