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Agronegócios
Quarta - 07 de Julho de 2004 às 16:36
Por: Suzi Bonfim

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A manutenção é equivalente a de um trator na lavoura. O custo de operação gira em torno de R$ 0,40 por hectare na pulverização de inseticidas e o preço do produto é cerca de 1/5 do similar no mercado. Estas características são de uma aeronave agrícola experimental produzida em Minas Gerais, o Bravo 700, que foi apresentada na Câmara de Política Agrícola e Crédito Rural (CPACR), da Secretaria de Desenvolvimento Rural de Mato Grosso (Seder), na reunião desta quarta-feira (07.07). Fabricada em Belo Horizonte-MG, a aeronave ainda é desconhecida no mercado. Apenas seis estão atuando na área agrícola em todo o País, dois deles em Mato Grosso.

O preço da aeronave agrícola mais comercializada em Mato Grosso gira em torno de US$ 220 mil ou R$ 660 mil, enquanto que o Bravo 700, modelo básico, é vendido por US$ 60 mil ou R$ 180 mil. Esta diferença de preços chamou a atenção da CPACR diante da carta consulta para aquisição de quatro aeronaves Bravo, aprovada no final do mês passado. “Todos os conselheiros acharam interessante conhecer melhor o produto e saber porque a diferença de preço entre as duas marcas é tão grande. Assim, poderemos ter mais segurança na aprovação de outras cartas consulta requisitando recursos para compra desta aeronave”, ressaltou o coordenado da CPACR, Dimas Gomes Neto. A Câmara de Política Agrícola é responsável pela análise de projetos que reivindicam recursos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) em Mato Grosso, na área rural.

O presidente da empresa AeroBravo, Fábio Homem de Carvalho Filho, aceitou o convite da CPACR para explicar porque o preço do Bravo 700 é menor. “Nosso diferencial é, justamente, o custo de aquisição, operação e manutenção, muito menor do que o modelo tradicional, porém, com a mesma eficiência”, assegurou o empresário.

Na pratica, a experiência do produtor de Lucas do Rio Verde (330 km de Cuiabá), Jonas Dal Molin, comprovou o desempenho do equipamento. Proprietário de uma aeronave deste tipo há seis anos, Dal Molin, garantiu que em cerca de 1,3 mil horas de vôo na pulverização de 2,5 mil hectares de área plantada com soja, milho, arroz e algodão, ele praticamente não teve custos com manutenção. “O avião é tão econômico quanto um trator em relação ao custo de operação”.

ALTERNATIVA PARA O PRODUTOR - Para a Câmara de Política Agrícola, a aeronave pode ser uma alternativa para o médio produtor que, em função do preço, ainda não utiliza este tipo de equipamento na lavoura. O Bravo 700 não possuí a Certificação do Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA), ligado ao Ministério da Aeronáutica, como aeronave agrícola. É classificado como ultraleve por isso, o seu baixo custo no mercado, detalhe que não interfere, segundo a coordenação da CPARC, na aprovação de cartas-consulta para receber recursos do FCO. De acordo com o empresário, a certificação irá provocar aumentos no custo de produção da aeronave.

Dispostos a se instalar em Mato Grosso, o empresário Fábio Carvalho Filho, diz que a capacidade de produção da fábrica é de acordo com a demanda. Ele também conversou com a Secretaria de Industria, Comércio, Minas e Energia (Sicme) sobre os possíveis incentivos para a construção da fábrica no Estado. “Dependendo das condições oferecidas poderemos nos instalar aqui em 2005”, considerou Carvalho Filho.

DEMANDA – De acordo com levantamento do CPACR, Mato Grosso tem ao todo 180 aeronaves agrícolas em operação. Deste total, 148 são do tipo Ipanema, fabricada pela Neiva. A distribuição dos aviões, de várias marcas, corresponde ao nível de crescimento do agronegócio nos municípios mato-grossenses. Existem 31 aeronaves em Primavera do Leste, 25 em Rondonópolis, 22 em Sorriso, 12 em Campo Verde e Pedra Preta e 10 em Alto Taquari. Na reunião desta quarta-feira, mais duas cartas-consulta foram aprovadas para aquisição de aeronaves agrícolas que somam R$ 1,534 milhões. Desde janeiro até agora, foram aprovadas propostas para o financiamento de 22 aviões que representam um investimento de R$ 14,388 milhões.

No geral, a Câmara aprovou cartas-consulta que reivindicam financiamento na ordem de R$ 33 milhões, principalmente, para armazenagem. Foram 13 projetos aprovados no valor de R$ 24 milhões. Até o momento, propostas para a construção de 123 de armazéns em fazenda, ou R$ 260 milhões em financiamentos, aguardam liberação no Banco do Brasil.




Fonte: Secom - MT

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