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Segunda - 05 de Julho de 2004 às 18:07
Por: Nelson Francisco

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Índios da etnia carajás postulam a criação de um parque indígena temático na Aldeia São Domingos, distante cinco quilômetros de Luciara (1.164 km a nordeste de Cuiabá). A proposta foi apresentada neste fim de semana pela lideranças indígenas ao superintendente de Política Indígenas do Estado (órgão ligado à Casa Civil), Idevar José Sardinha, que esteve na região a convite da prefeita Noely Paciente Luz (PFL).

O projeto prevê a exploração sustentável do turismo na aldeia com a construção de casas que obedeçam a arquitetura da rica cultura carajá. Explorado exclusivamente pelos índios, organizados por meio de uma associação, que será criada em breve, o parque vai oferecer ao visitante interessado em cultura indígena, oficinas de artesanato, pesca (conforme determina a legislação) e utilização do espaço da aldeia em sistema day-use (o turista deve apenas passar o dia na aldeia e retorna à noite para a cidade).

De acordo com Idevar Sardinha, a intenção do projeto é criar alternativas econômicas para os índios, sem perda de identidade cultural e preservação de suas tradições, a exemplo da admirável arte em cerâmica carajá. “Isso para mim é revitalizar o conhecimento dos velhos que por meio dos mais novos vão ensinar aos turistas a fazer artesanato indígena”, ressaltou Sardinha.

A construção de casas no padrão arquitetônico da cultura carajá, conforme Idevar, será um projeto a ser discutido em parceria com a Prefeitura de Luciara, Secretaria de Emprego, Trabalho e Cidadania (Setec) e Secretaria de Estado de Infra-Estrutura (Sinfra).

Dispersos no Parque Nacional do Araguaia (Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Pará), a população carajá é estimada em mais de 2,5 mil índios que falam a língua do tronco macro-jê. Só na Aldeia São Domingos vivem mais de 100 índios, que ocupam uma área de 5.705 hectares. Pela proximidade com o Estado de Tocantins, que faz divisa com Mato Grosso, os índios reivindicam ações conjuntas entre os dois Governos, a fim de assegurar melhor qualidade de vida. “Eles já estavam lá antes de nós chegarmos. Essa fronteira fomos nós que criamos. Vamos trabalhar com os Estados vizinhos”, adiantou Sardinha.

Segundo o superintendente, pela distância os índios carajás recorrem, sempre que precisam cobrar melhorias nas áreas de saúde e educação, às autoridades dos Estados de Tocantins e Goiás. “Nossa proposta é dialogar com todos os índios a atender as suas reivindicações”, disse Sardinha, que, em parceria com o senador Jonas Pinheiro (PFL), irá manter contato com representantes de outros Estados.




Fonte: Secom - MT

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