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Nacional
Segunda - 03 de Maio de 2004 às 08:47
Por: Milton F. da Rocha Filho

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São Paulo - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em seu programa quinzenal de rádio, "Café com o Presidente", explicou em sua primeira fala sobre o mínimo quais as razões que levaram o governo a dar apenas um aumento de R$ 20,00 no salário mínimo, salientando que elevá-lo para R$ 300,00, sem recursos, "seria total irresponsabilidade".

Lula explicou que a Previdência tem um passivo de R$ 200 bilhões. São casos de pessoas que não concordam com alguma contribuição que têm para pagar e entram na Justiça e, portanto, a Previdência fica com R$ 200 bilhões para receber e não recebe. “E isso faz com que o caixa da Previdência não tenha o dinheiro que nós gostaríamos que tivesse para dar um aumento de salário mínimo maior”, explicou.

Segundo o presidente, elevar o salário mínimo em mais R$ 10,00 significaria gastar, em 12 meses, mais R$ 3 bilhões e aumentar ainda mais o rombo da Previdência Social. “Ora, nós tivemos o cuidado de dar o reajuste da inflação e pouca coisa a mais. Temos a preocupação de que, em algum momento, nós vamos criar as condições para recuperar definitivamente o poder aquisitivo do salário mínimo. E nós vamos fazer isso com a maior responsabilidade do mundo, porque nós não podemos aumentar a dívida que a Previdência já tem com os seus aposentados e o rombo que ela tem no seu caixa".

“Para os trabalhadores da iniciativa privada, poderiamos decretar um mínimo de R$ 400,00, R$ 450,00, porque muitas e muitas empresas já pagam isso ou mais do que isso. Qual é o nosso problema ao decretarmos o salário mínimo? É o rombo da Previdência Social, ou seja, nós temos este ano um déficit de R$ 31 bilhões e nós vamos consertar isso ao longo do tempo", afirmou. E enfatizou: "Foi por isso que nós fizemos a reforma da Previdência Social para corrigir esse rombo”.

O presidente gravou o seu "Café com o Presidente" em seu apartamento de São Bernardo no domingo último, e dedicou-o integralmente à questão do salário mínimo. "É importante lembrar que, este ano, nós herdamos um esqueleto do governo passado, de R$ 12,4 bilhões, que não estavam no orçamento e que nós vamos ter de pagar porque a Justiça determinou. Portanto, nós vamos ter de arrumar R$ 12,4 bilhões para pagar aos aposentados que entraram com processo reivindicando o prejuízo que tiveram com a URV em 1993. E vamos fazer um acordo com os aposentados para pagar parceladamente, porque não é fácil arrumar R$ 12,4 bilhões".

Lula salientou que passou o 1º de maio da mesma fora que passou o em 2003. “Eu vou à missa na matriz aqui em São Bernardo desde 1980, portanto, são 24 anos que nós fazemos a missa do trabalhador. Depois eu fiquei em casa com a minha família. Não fui nos outros atos porque nós temos quatro centrais no Brasil. É preciso tomar cuidado em participar de um ato e não participar de outro. Pode criar problemas na relação que o Estado tem que ter com o movimento sindical".




Fonte: Estadão.com

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