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Internacional
Terça - 16 de Março de 2004 às 14:22

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Pequim - A falta de água na China atinge o cotidiano de 400 milhões de pessoas em 460 cidades e ameaça o ritmo de crescimento e industrialização do país. Especialistas apontam como principais fatores da crise o desequilíbrio natural dos recursos hídricos, o agravamento dos seculares problemas ambientais durante o período maoísta e a velocidade do crescimento econômico decorrente do processo de abertura e reforma, inaugurado em 1978.

A escassez levou o governo a anunciar a redução da taxa de crescimento para 7% em 2004. Segundo o cientista Niu Weiyuan, da Academia de Ciências da China, a média entre 1985 e 2000, de 8,7%, cai para 6,5% se considerados custos sociais e ambientais. "Grande parte do crescimento chinês foi obtido a partir da exploração de recursos e de interesses que deveriam ter pertencido a nossos filhos."

Seca

Em Pequim, a escassez de água se reflete nos preços, cortes de fornecimento e nas rigorosas medidas para contenção do consumo. O custo de um metro cúbico (mil litros) é de 4 yuans (US$ 0,48) e influencia tanto o orçamento familiar quanto a qualidade da prestação de serviços em Pequim. Bares e restaurantes evitam lavar louça em água corrente, valendo-se ainda das velhas e gigantes bacias de plástico.

A cidade enfrenta há cinco anos a pior seca de sua história. O consumo de água foi limitado a 300 m³ por pessoa por dia. Desvios de água de outras províncias são freqüentes. A seca atinge a cidade de Tianjin e as províncias de Hebei, Shandong, Henan, Guangdong e Jiangsu. No centro e oeste, ela assola Sichuan, Shaanxi, Shanxi e Gansu, e as regiões autônomas do Xinjiang, da Mongólia e de Ningxia.

Contaminação ambiental

O subdiretor da Administração Estatal de Meio Ambiente, Pan Yue, alerta: "A China enfrentará uma grave escassez de recursos naturais se forem mantidos os atuais índices de crescimento e de contaminação ambiental." O país tem 1,292 bilhão de habitantes e crescimento demográfico de 1%.

Desde 2003 estão em andamento obras para a transposição de parte da vazão fluvial (960 bilhões de m³ anuais), para socorrer as reservas do norte, com investimentos anuais de US$ 580 milhões e a criação de 1,8 milhão de empregos. Há 50 mil rios na China. Embora o país detenha a sexta reserva mundial de água doce, com 2,8 trilhões de m³, ou 6,8% das reservas mundiais, ocupa o 88.º lugar na distribuição per capita (2.500 m³).




Fonte: Estadão.com

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