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Economia
Terça - 02 de Março de 2004 às 11:48

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O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, negou nesta terça-feira que o governo esteja abalado pelo escândalo envolvendo o ex-assessor do Planalto, Waldomiro Diniz. "Não vejo como uma crise política, é um episódio isolado", disse o ministro em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo.

O ministro admitiu que existem "problemas que precisam ser investigados", mas minimizou os efeitos da crise para o País. "A força da economia não se abala", afirmou Palocci, dizendo que a "força real" da atividade econômica continua em ação, destacando o bom desempenho de setores como o de agronegócios.

"O Brasil tem instituições fortes", continuou o ministro, admitindo que esse tipo de escândalo pode voltar a acontecer e que o País precisa estar preparado.

Palocci fez questão de demonstrar que o clima entre os integrantes do governo é de calma.

"O presidente Lula é uma pessoa tranqüila, não perde a serenidade", acrescentou Palocci, ressaltando que o presidente não deixou de cuidar das prioridades do seu governo, que são os programas sociais. Segundo o ministro da Fazenda, a oposição está fazendo seu papel de investigar e denunciar. "Ter oposição faz parte da vida democrática".

O ministro da Fazenda disse ainda que a maneira como o Brasil economiza divisas para alcançar o superávit primário (receitas menos despesas excluindo o pagamento de juros) não é adequada. Para ele, o País deve procurar uma alternativa "mais correta" de equacionar seus compromissos. "Economizar para pagar uma dívida é uma regra da dona de casa, do trabalhador", afirmou.

Em 2005, o país deverá trabalhar com um novo conceito de superávit primário. "O que vamos fazer no ano que vem não é reduzir nem aumentar o superávit, é introduzir a idéia de um superávit que seja variável com o crescimento econômico. O Brasil cresce muito, guarda mais recursos. Se um ano ele tiver dificuldades econômicas, ele não cobra mais impostos da sociedade, piorando as dificuldades, mas ele pode gastar aquilo que guardou para investimentos e para normalizar a situação do país. Então, é uma maneira mais adequada, mais correta de fazer superávit", disse.

Segundo Palocci, o governo brasileiro costuma gastar muito em épocas de expansão, para depois adotar políticas muito restritivas, como aumento de impostos, nos momentos de crise. Para trazer investimentos e garantir a estabilidade econômica, segundo Palocci, é preciso economizar mesmo durante as fases de forte crescimento e arrecadação. A meta de superávit, explicou o ministro, deve ser "natural com o crescimento econômico".

Para o ministro, a economia do País caminha rumo a um ciclo de crescimento sustentado. Ele fez referências às taxas obtidas a partir do segundo semestre de 2003. "Em 2003, tivemos um primeiro semestre de muita retração econômica, mas um segundo semestre de crescimento. Se olharmos o que aconteceu no último trimestre, vemos que cresceu 1,5% em relação ao terceiro trimestre. Analisando essa taxa, é um crescimento de 6%", afirmou.

Apesar do ano passado ter sido um ano ruim para a economia como um todo, Palocci ressaltou que em 2003 alguns setores cresceram. "O que passou, passou. O mais importante é que o Brasil agora entre num período longo de crescimento econômico, com geração de emprego, com incentivo aos setores que mais empregam, com valorização das exportações, da agricultura", reforçou.

O ministro da Fazenda disse ainda que as áreas que não apresentaram recuperação estão merecendo uma abordagem diferenciada por parte do governo. "Alguns setores saem na frente, outros vêm depois", disse. Conforme explicou, aqueles que têm alguma dificuldade estrutural, como a construção civil, o governo tem dispensado tratamento especial.

Sobre o pagamento da correção para as aposentadorias do INSS, Palocci disse que o Ministério da Previdência está estudando o assunto, mas que o governo ainda não sabe de onde vai sair o dinheiro. No entanto, o ministro disse que o governo "vai cumprir" a determinação da Justiça.




Fonte: Investnews/Agência Brasil

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