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Politica Brasil
Terça - 02 de Março de 2004 às 11:41
Por: Fernando Rodrigues

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O maior prejudicado político do escândalo envolvendo Waldomiro Diniz foi o seu ex-chefe: 67% dos eleitores brasileiros acham que o ministro da Casa Civil da Presidência da República, José Dirceu, deve se afastar do cargo.

A população também se declarou amplamente a favor da instalação de uma CPI: 81% responderam que esse é o melhor caminho para apurar o ocorrido. Esse é o resultado de pesquisa Datafolha feita ontem em todo o país com 2.306 eleitores, em 132 cidades em todas as unidades da Federação. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Dirceu foi o superior imediato de Waldomiro, que ocupou o cargo de subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência. Foi exonerado, a pedido, no dia 13 do mês passado, quando se tornou pública uma fita de vídeo na qual pedia propina para si próprio e doações para campanhas.

Apesar de a fita ser de 2002, Waldomiro é conhecido de José Dirceu desde, pelo menos, 1992. Chegaram até a dividir um apartamento em Brasília.

A população soube preservar o governo do escândalo e deixou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sair ileso. A carga negativa dos eleitores se voltou contra José Dirceu.

Os 67% que sugerem o afastamento do ministro da Casa Civil são divididos em duas categorias: 43% sugerem que José Dirceu se afaste enquanto investigações são realizadas e 24% querem que ele renuncie em definitivo. Só 18% dos entrevistados defendem a permanência do ministro no cargo e 15% não sabem responder.

Para 43%, Dirceu estava envolvido diretamente nas irregularidades cometidas por Waldomiro Diniz. Outros 25% dizem que não houve envolvimento e 31% não souberam responder.

Se depender de 45% dos eleitores, o presidente deve afastar o seu ministro da Casa Civil até que as investigações sobre o caso estejam concluídas. Para 23% a melhor opção é a demissão imediata. Só 18% acham apropriado Lula mantê-lo no cargo.

Lula preservado

O Datafolha também perguntou aos eleitores sobre o envolvimento de Lula no escândalo. Apenas 16% dos eleitores acham que o presidente da República tinha conhecimento das atividades de Waldomiro. Para 60%, ele não sabia o que se passava.

Quando questionados se o presidente esteve diretamente envolvido nas irregularidades, 70% dos entrevistados disseram não acreditar nessa hipótese.

"A população personificou em José Dirceu o escândalo e a avaliação negativa do episódio", diz o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.

O desgaste de José Dirceu não colou nos petistas de um modo geral. O Datafolha pergunta aos eleitores sobre a percepção de corrupção em determinados partidos. Em julho do ano passado, 19% dos eleitores achavam que no PT a "maioria está envolvida" com corrupção. Na pesquisa de ontem, esse percentual ficou inalterado. Para 29%, "muitos" petistas estão envolvidos, contra 24% da última pesquisa disponível.

Maioria quer CPI

Apesar de o eleitorado ter sido condescendente com o governo e com o presidente, uma ampla maioria (81%) respondeu ser a favor da instalação de uma CPI. O paradoxo é que apenas 53% dos entrevistados declararam ter tomado conhecimento do episódio.

É importante registrar que o pesquisador do Datafolha, no início das entrevistas, primeiro faz várias perguntas --inclusive sobre a popularidade de Lula-- sem mencionar o caso Waldomiro Diniz. Depois, pergunta se o eleitor teve conhecimento do escândalo. Só em seguida faz uma breve descrição, de forma objetiva.

Após escutarem as informações sobre o caso é que os entrevistados são questionados se são a favor de uma CPI --81% se manifestaram a favor. "Mesmo sem conhecer muito bem o escândalo, a tendência da população é sempre apoiar a investigação por meio de CPI", explica Mauro Paulino.




Fonte: Folha de São Paulo/Brasilia

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