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Ciência/Pesquisa
Quarta - 26 de Outubro de 2016 às 08:08
Por: Carlos Palmeira* Do G1 MT

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Sorvete de arroz pode ser servidor com brownie de feijão preto (Foto: Isabela Prado/ Arquivo pessoal)
Sorvete de arroz pode ser servidor com brownie de feijão preto (Foto: Isabela Prado/ Arquivo pessoal)

Dois alimentos coringa da culinária brasileira, que, normalmente, são preparados com sal também, podem virar sobremesas. A experiência foi comprovada por estudantes do curso de ciência e tecnologia de alimentos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Eles desenvolveram um sorvete de arroz e um brownie de feijão preto, que podem ser servidos juntos ou separados.

Em um estande na 13ª Semana Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada na Arena Pantanal, em Cuiabá, na semana passada, os universitários também mostraram ao público um doce de guaraná, arroz doce em lata e cookie de açaí.

A professora Aline Pietro, que supervisiona a produção de todos os alimentos, explicou que as comidas são confeccionadas pelos professores na disciplina de desenvolvimento de novos produtos, que integra a grade curricular do último semestre do curso de ciência e tecnologia de alimentos.

A apresentação dos alunos no evento científico aproveitou a temática da Semana Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Neste ano, a semana foi nomeada de 'Ciência alimentando o Brasil'.

A pesquisadora Gabriela Maitan Alfenas afirmou que a criação desses novos alimentos não tem necessariamente objetivos comerciais. Essa decisão - que geralmente é tomada quando existem boas oportunidades de negócios – é tomada pelos próprios alunos.

“Nossa proposta é desenvolver produtos inovadores que ainda não existem para verificar o aprendizado do aluno durante os semestres. Nesse processo, eles desenvolvem um rótulo, fazem estudos de mercado e até de patente, para caso o produto tiver uma possibilidade de negócio. Essa questão, porém, dependente muito de investidores, já que não é fácil bancar uma produção em grande escala desses alimentos”, comentou a docente.

Sorvete de arroz ainda não é comercializado (Foto: Isabela Prado/ Arquivo pessoal)Sorvete de arroz ainda não é comercializado (Foto: Isabela Prado/ Arquivo pessoal)

Gabriela também argumentou que, apesar das comidas serem diferenciadas e muitas vezes exóticas, os alunos precisam levar em consideração a qualidade do resultado final do mantimento.

“A questão de sabor é extremamente relevante. Então não adianta montar um produto diferente que não seja bom de comer. Por isso, nós realizamos vários testes e questionários com o público que responde questões sobre o gosto e consistência do alimento”, disse.

O estande do curso foi organizado também pelas professoras Ana Luiza Trovo, Samira Patias, Vanessa Behrends e Luciana Kimie.

Arroz doce em lata (Foto: Carlos Palmeira/ G1)Arroz doce em lata (Foto: Carlos Palmeira/ G1)

Arroz doce em lata
O diferencial do arroz doce confeccionado pelos alunos Marcus Vinicius Romanini Barreto, Gabriel da Silva, Célia Benedita da Silva é a praticidade. O alimento leva leite, arroz, leite condensado e canela em pau.

O arroz doce é armazenado em uma lata, processo que os pesquisadores da área chamam de apertização. Ele pode ser consumido de maneira similar ao brigadeiro e ao beijinho, por exemplo. A lata, como explicou a professora Aline Pietro, serve para manter o produto conservado por mais tempo.

Doce de guaraná
O doce de guaraná foi desenvolvido pelos alunos Geriel Araujo Lemes, Paula Regina Rodrigues e Vanessa Thais Magalhães Fruhauf. Os discentes levaram em consideração a regionalidade e os benefícios do guaraná, que é um produto estimulante e bastante consumido por atletas amadores e até de alto rendimento.

O produto também é apertizado e seu consumo é parecido com o do arroz doce. A lata, ainda fechada, mantém o produto em condições de consumo por até um ano.

Sua receita leva leite condensado, creme de leite, manteiga sem sal, guaraná em pó, xarope de guaraná e não contém glúten.

Doce de guaraná foi apresentado em feira (Foto: Carlos Palmeira/ G1)Doce de guaraná foi apresentado em feira (Foto: Carlos Palmeira/ G1)

Sorvete de arroz
No caso do sorvete de arroz, o diferencial pensado pelos alunos foi criar uma comida completamente vegana. O alimento tem consistência de sorvetes de massa e as professoras garantem que o sabor do arroz é pouco acentuado.

A receita foi elaborada pelos alunas Emanuelly Silveira, Emilly Melo, Isabela Prado, Juliana Salvador e Nainne Mendes e foi apresentada no primeiro semestre deste ano.

O sorvete é cozinhado com leite condensado de soja, leite de coco, arroz cru, raspas de limão, canela em pó e leva ainda emulsificante, para deixar o alimento com a consistência de sorvete. Todos os produtos não têm origem animal.

Brownie de feijão preto (Foto: Isabela Prado/ Arquivo pessoal)Brownie de feijão preto (Foto: Isabela Prado/ Arquivo pessoal)

Brownie de feijão preto
O brownie de feijão preto foi pensado para implementar a receita do sorvete de arroz, criando uma mistura diferente do principal prato da culinária brasileira. Por causa disso, os mesmos alunos que ciaram a receita do sorvete desenvolveram também o brownie.

O alimento foi uma das comidas apresentada na feira 'Experimente', realizada pelo curso de ciência e tecnologia de alimentos da UFMT. Segundo as professoras, o doce é um dos que mais chamou a atenção do público no evento na Arena Pantanal.

O doce leva em sua receita feijão preto, açúcar mascavo, aveia em flocos, cacau e óleo de coco.

Cookies de açaí foi produzido por universitários da UFMT (Foto: Carlos Palmeira/ G1)Cookies de açaí foi produzido por universitários da UFMT (Foto: Carlos Palmeira/ G1)

Cookie de açaí
O cookie de açaí foi pensando pelos alunos Federico Alegre, Carlos Stumpp, Joselene Cruz e Fátima Moreira. Os doces são armazenados em um saquinho e levam em sua receita, além do açaí, guaraná e castanha do Brasil.

Os estudantes desenvolveram o alimento pensando na tipicidade do produto ao redor do país. O alimento não tem lactose, é rico em fibras mas leva gordura trans.

Evento científico
A 13ª Semana Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI) foi realizada em todo o país entre os dias 17 e 20 de outubro.

Na capital, foram realizadas palestras, exposições e oficinas com várias temáticas científicas, entre elas o controle de agrotóxicos nos alimentos, segurança alimentar, reciclagem, ecologia, tecnologia industrial, automação e robótica.

Segundo o site oficial do evento, o estado contou com 452 atividades espalhadas em cinco municípios. Vinte e cinco instituições fizeram parte da semana, entre elas a UFMT, a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), Serviço Nacional de Aprendizagem (Senai), Serviço Social da Indústria (Sesi), Fundação de Amparo à Pesquisa de Mato Grosso (Fapemat) e Polícia Militar de Proteção Ambiental. A semana foi realizada em Mato Grosso pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci).

* Sob a supervisão de Pollyana Araújo





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