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Turismo
Quarta - 29 de Março de 2017 às 07:07
Por: Da Assessoria

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Rodolfo Perdigão

Com 210 mil quilômetros quadrados de extensão, dos quais 140 mil km² em território brasileiro, a área do Pantanal abriga uma rica biodiversidade e fornece serviços ambientais essenciais ao país, como suprimento de água, estabilização do clima e conservação do solo. Além disso, é um diferencial importante para o desenvolvimento econômico no setor com melhor distribuição de renda à população. “Mato Grosso precisa se voltar à sua maior vocação, que é a área ambiental e turística”.

Essa afirmação é do advogado e empresário Roberto Klabin, presidente do Grupo de Líderes Empresarias (LIDE) Sustentabilidade e fundador da SOS Mata Atlântica e presidente do SOS Pantanal, que foi um dos debatedores de um jantar organizado pelo grupo na noite desta quarta-feira (29.03), em Cuiabá. Na opinião dele, toda riqueza da região está ameaçada pela implantação sistemática de empreendimentos na região considerada ‘diamante bruto’ do turismo.

Ao comparar o potencial do Pantanal a duas grandes potências turísticas mundiais, o Delta do Okavango, em Botsuana, na África, e o Parque Nacional Everglades, na Flórida, Estados Unidos, ambas áreas pantaneiras, Klabin frisa que o número de visitantes internacionais ao Brasil poderia ser muito superior aos 6 milhões que normalmente recebe anualmente se reconhecesse seu verdadeiro potencial competitivo.

“No pantanal africano, que é 10 vezes menor que o brasileiro, o governo fez dele um grande gerador de renda para o estado, a população e os empreendedores, fazendo concessões privadas com regras rígidas de visitação e respeito ao meio ambiente, toda uma cadeia produtiva sustentável se desenvolveu e hoje é um exemplo de sucesso que exigiu visão de futuro, planejamento e foco. Podemos fazer o mesmo no Brasil”.

Para o secretário de estado de Meio Ambiente e vice-governador Carlos Fávaro, que integrou as discussões do painel sustentabilidade, o estado nos últimos dois anos vem priorizando a modernização na gestão ambiental, e também ações voltadas à conservação do Pantanal. “Desde 2000, quando obteve o título de Reserva da Biosfera pela Unesco, nada foi feito. Em fevereiro deste ano firmamos um protocolo unindo governo federal e os dois estados afim de manter o título e garantir a longevidade ao Pantanal, que é patrimônio de todos”.

O plano de ação emergencial prevê atividades de curto, médio e longo prazo. Fávaro lamenta a perda de 400 milhões de dólares de um convênio com o Banco Interamericano de Desenvolvimento no Brasil (BID), paralisado desde 2003, que seria voltado ao saneamento às margens do Pantanal. “Apesar do tratamento de esgoto não dar voto, gera futuro, saúde e preservação. O problema é apenas 25,6% da população têm acesso a eles, o que representa metade da média nacional. Será que o cidadão se pergunta para onde vai o esgoto da sua residência?”

Fazer provocações, fomentar novas ideias, valores e reflexões. Na avaliação do presidente do LIDE-MT, Pedro Neves, a proposta do terceiro evento do grupo de líderes foi cumprida, já que conseguiu tirar os participantes – que representam as 22 empresas com mais de 6 bilhões do faturamento do estado - da zona de conforto. Afinal, será que o agronegócio é realmente a maior locomotiva do país e de Mato Grosso? Por que não reanalisar novas opções de desenvolvimento sustentável? “O turismo é o centavo de dólar melhor distribuído socialmente, o que significa que temos uma riqueza sem precedentes em mãos, pois, além do Pantanal, há outros dois biomas riquíssimos que são cerrado e floresta amazônica”.

O representante do departamento administrativo da Nutrideal, participou pela primeira vez da reunião do LIDE e confessou estar ‘mexido’ com as questões levantadas sobre o meio ambiente. “Até onde usar e conservar? Hoje temos uma população mundial superior a 7 bilhões de pessoas que precisa se alimentar, a perspectiva é esse número continuar aumentando. Vamos ter que achar, enquanto humanidade, um ponto de equilíbrio”.

Para Edson Maia, diretor do Grupo Saga, as discussões foram produtivas para entender que a lógica do desenvolvimento para o estado não está, por exemplo, na atração de indústrias automobilísticas para esta região. “Temos realmente que focar em médio e longo prazo no turismo”. O mesmo avaliou Paulo Cerqueira, representante do Centro Universitário de Várzea Grande (Univag), que enxerga muitas possibilidades de investimento na área caso o governo priorize. “O setor empresarial não tem meios de fomentar essa mudança sozinho”.

Ana Cristina Sucolotti Crespani, da Wine Consultoria & Adega, afirma que cresceu nos hotéis da família em Primavera do Leste, interior do estado, e que após o evento se sente empolgada a expandir os negócios na área turística. “Toda essa discussão me fez repensar outras possibilidades na vida pessoal e empresarial, acho que o meio ambiente é uma riqueza tão grande e disponível que não percebemos que pode acabar, não percebemos que é a nossa maior riqueza”.

O evento foi realizado no Restaurante Mahalo, das 19h45 às 23h, reunindo representantes de diversas instituições, como Energisa, Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL), secretários de Estado Fazenda, Gustavo Oliveira, de Comunicação, Kleber Lima, e de Desenvolvimento Econômico, Ricardo Tomczyk, entre outros líderes do setor empresarial.

Referência mundial

Fundado em junho de 2003 como empresa do Grupo Doria, o LIDE possui 13 anos de atuação em 16 estados do Brasil e em 14 países dos quatro continentes. Atualmente, são quase duas mil empresas filiadas, que representam cerca de 50% do PIB privado brasileiro. A proposta do Grupo é difundir e fortalecer os princípios éticos de governança corporativa no Brasil, promover e incentivar as relações empresariais e sensibilizar o apoio privado para projetos sociais, para isso, são realizados inúmeros que promovem a integração entre empresas, organizações, entidades privadas e representantes do poder público, por meio de debates, seminários e fóruns de negócios.





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