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Comportamento
Segunda - 26 de Junho de 2017 às 14:56
Por: Uol

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Juntos há três anos, o representante comercial Rodrigo*, 27, e a estudante Leila*, 23, são adeptos do fetiche do "cuckolding" (gíria em inglês para definir homens que são traídos e não se importam com isso). Ele gosta que ela saia e transe com outros parceiros. Aqui, o casal explica como essa prática deixa o relacionamento mais excitante.

"'Tem um colega da faculdade dando em cima de mim, ele vive dizendo o quanto sou bonita', certa vez me disse minha namorada tentando fingir um ar de ofendida. Ela não conseguia sequer disfarçar o sorrisinho na cara, que deixava claro que estava gostando da situação.

'Que safada', eu pensava. Mas ao invés de ciúmes, aquilo me deixou com um tesão doido! Que negócio estranho, eu estava curtindo saber que tinha outro cara interessado nela? Isso é coisa de corno! Eu não podia gostar disso, não!"

"Certinha que só, ela achou a proposta um absurdo"

"Mas o que eu tinha sentido foi bom e se repetiu em outros momentos em que ela falou desse colega. Então decidi dar um Google nisso, sobre gostar de ser traído, e encontrei um monte de coisa, até em blog. Lendo relatos e comentários, parecia até que o Brasil inteiro era igual a mim.

Por uns meses, fiquei pesquisando e trocando ideia, tentando entender o que eu sentia. Por que eu estava me excitando com o fato de que havia outro homem dando em cima da minha namorada e ela estava gostando disso. Descobri que era um fetiche, um negócio totalmente sexual e que na cama vale tudo. Então decidi pedir para a minha namorada entrar na brincadeira.

Certinha que só, ela achou um absurdo. Mas fui falando, convencendo, dizendo que era normal, que a amava e aquilo só podia melhorar o sexo que já era bom... Devagarzinho, ela foi dobrando."

"Seduzimos outros homens em público"

"Primeiro, topou um jogo de sedução em público. Funcionava assim: a gente saía juntos e no restaurante, decidíamos um homem para seduzir. Então ela começava a olhar para o cara e fazer coisas que eu pedia. 'Abre a perna', 'agora cruza', 'mostra o decote', sempre com caras e bocas sensuais. O cara sempre ficava doido, olhando sem parar e achando que eu nem estava percebendo

Quantas vezes não vimos aqueles marmanjos, acompanhados de filho e esposa, vidrados na Leila? Dava para perceber o tesão dos caras pela minha namorada e aquilo me deixava maluco. Quando chegávamos em casa, o sexo era bom demais.

Mas provar esse tesão só fez aumentar minha vontade maior que era a de saber que ela estava de fato transando com outros. Muita gente acha que, se você falar para sua mulher que quer que ela transe com outro cara, ela vai adorar e sair correndo para aproveitar. Mas não é fácil assim, não. Leila achava errado, promiscuidade e tinha medo até de que isso acabasse com nossa relação. Precisei de um ano falando e argumentando para que ela topasse."

"Na primeira vez deu tudo errado"

"Então começamos a busca pelo primeiro amante dela. Entramos em uma rede social de sexo e criamos um perfil que deixava claro que eu queria ser um corno. Conversamos com muitos homens. Na verdade, ela conversou e eu só acompanhava. Essa parte da história já me deixava com tesão, ver a paquera, a sedução e a conquista.

Depois de uns meses, Leila marcou seu primeiro encontro e nós combinamos tudo certinho. Ela iria sozinha e me ligaria quando chegasse ao motel, para me contar o que estava achando. Então mandaria fotos e vídeos da ação em si.

Mas tudo foi diferente. Ela simplesmente não me ligou e eu comecei a entrar em parafuso. Era uma mistura de ciúmes, por uma traição real dela, ao furar nosso combinado, com medo de que algo ruim pudesse acontecer.

Liguei mais de 80 vezes e ela não atendeu, então corri para o motel combinado e descobri que ela não estava lá. O que tinha acontecido?"

"Eu quase explodi de tesão"

"No fim das contas, nada além de um mal-entendido: estava muito trânsito, os dois decidiram ficar em um motel mais perto e ela, inexperiente, acabou curtindo demais o momento e esqueceu de me ligar. Claro que brigamos feio. Fiquei bem bravo, o combinado era ser algo entre nós dois e não isso.

Mesmo assim decidimos tentar de novo. Voltamos à busca por um par novo e dali mais ou menos dois meses rolou a segunda vez. Aí sim, foi maravilhoso.

Ela saiu com o cara e foi me mandando fotos desde o trajeto. Chegando no motel, acompanhei por imagens e vídeos toda a transa deles. Estava no trabalho e, vendo tudo que faziam e respondendo com instruções e pedidos de coisas que gostaria que ela fizesse, fiquei maluco.

Ver a minha namorada sendo uma safada daquele jeito me deixava excitado. Parecia que eu ia explodir de tesão.

Depois de acompanhar ao vivo tudo pelo celular, sai correndo do trabalho e fui busca-la no motel. Fomos para casa e transamos loucamente. Foi totalmente maravilhoso."

"No fim, ela volta para mim"

"Isso foi há um ano e desde então já fizemos mais umas seis vezes. Aconteceu já de eu ir junto com ela e outro para o motel, para assistir. Mas o que eu gosto mesmo é de estar longe, de acompanhar de longe, sem nenhuma possibilidade de participar fisicamente.

Sou bi, já me relacionei com homens, mas no momento não é o que me interessa. Na verdade, quando a Leila está com os outros caras, tanto faz quem é ele ou como é. O que me excita é ela, vê-la sentindo tesão e me comparando a ele.

Mas veja bem que isso é bem diferente de traição. Porque é um combinado nosso, o outro é só um extra, que está ali para o nosso prazer. Se ela saísse com um cara sem me avisar ou se envolvesse com um deles, eu ficaria bem incomodado.

No fundo, uma das coisas que eu mais gosto também é do retorno dela para mim. Ela curte, sente prazer com outro homem, mas é comigo que ela quer ficar."

Rodrigo*, 27, representante comercial

"Adoro pensar que estou ali curtindo e ele está em casa"

"Quando ele começou com esse papo, estranhei. Fiquei até triste, achei que não gostava de mim... Por que queira que eu saísse com outro? Mas ele insistiu muito, ficava alando que me amava, que seria bom para nós e aumentaria nossa parceria.

Apesar do medo de que estragasse tudo, acabei resolvendo dar um voto de confiança para ele e tentar.

Bem, a primeira vez foi um fiasco para ele, mas para mim... Foi bem gostoso. Claro que deu a briga, mas conversamos muito e decidimos tentar de novo. E daí não paramos mais.

Eu sinto muito tesão não só em estar com o outro cara, mas em pensar que ele está em casa. Na minha cabeça rola toda uma fantasia, eu fico pensando que estou traindo, que o chifrudo está em casa e isso é muito excitante. Eu mando as fotos, vídeos, deixo ele ouvir, pra ele saber o quanto eu estou gostando e fico maluca quando recebo ordens, instruções de como ele quer que eu faça. Eu me sinto muito maravilhosa.

Depois que acaba, é sempre ele quem vai me buscar e, se eu aguento, brincamos também. Afinal, meu namorado também merece, né?

Apesar de termos esse fetiche, o sexo com outros caras rola só de vez em quando, é algo especial para apimentar a relação. No dia a dia transamos só nós dois e continua sendo tão incrível quanto era antes. E a nossa relação só melhorou, ficamos ainda mais íntimos e parceiros."

Leila*, 23, estudante

Fetiche é comum e pode ter muitas motivações

Você acha que o comportamento de Rodrigo* é algo fora do comum? Saiba que nem é tanto assim. "Relatos como esse são bem comuns no consultório", conta a psicóloga especialista em sexualidade pela USP, Priscila Junqueira. De fato, na rede social de sexo Sexlog, a prática é a mais comum entre os mais de seis milhões de usuários é o cuckold.

Para a especialista, "os motivos que fazem com que homens sintam prazer em ver suas parceiras com os outros, podem ser diversos, de acordo com a personalidade. Tem essa coisa de colocar a mulher em disputa, entre dois homens. Mas tem também algo sobre controle, dominação do desejo da parceira". Ela ainda diz que pode sim haver uma questão de machista por trás, do homem reafirmar sua masculinidade, mas também pode ser o oposto: ele tem tanta cobrança de manter seu papel de macho alfa, que nesse fetiche pode aliviar o peso dessa responsabilidade.

Independentemente do motivo, no entanto, ela reforça que o essencial é que existe consentimento. "A mulher precisa entender que aquilo também satisfaz um desejo seu e não fazer isso por se sentir pressionada, algo também muito comum no consultório".

Apesar de a ideia de ser corno ainda ter uma conotação negativa socialmente, existindo conversa no casal, a prática está liberada e pode ser completamente saudável para os dois.

*Os entrevistados pediram para não terem os nomes completos divulgados na reportagem





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