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Repórter News - reporternews.com.br
Internacional
Terça - 06 de Março de 2018 às 20:37
Por: Globo Esporte

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Jordá
Jordá

Há uma barreira, que é por uma questão física. Vejo um grande problema para as mulheres. O carro da Fórmula E é menos exigente fisicamente do que um Fórmula 1, por ter menos pressão aerodinâmica e contar com direção hidráulica. O desafio que nós, mulheres, encontramos em um F2 ou F1, é um problema.

A declaração da espanhola Carmen Jordá sobre a dificuldade de pilotos femininas conseguirem bons resultados na Fórmula 1 não caiu nada bem nas redes sociais. As críticas a Jordá, que atuou como piloto de testes da Lotus e da Renault e apresentou resultados fracos na GP3, foram muitas, desde fãs, passando por outras pilotos e até por campeões mundiais.

Curiosamente, um dia depois das declarações de Jordá causarem polêmica a venezuelana Tatiana Calderón foi confirmada pela Sauber como piloto de testes para a temporada 2018, com diversas sessões no simulador do time. Por enquanto ainda não há confirmações sobre participações nos treinos de sexta-feira em fins de semana de corrida.

Uma das críticas mais pesadas a Jordá foi feita pela britânica Leeda Gade, primeira engenheira campeã das 24 Horas de Le Mans, pela equipe Audi. Gade, assim como Jordá, faz parte da comissão feminina da Federação Internacional de Automobilismo, e acelerou fundo na resposta:

- Você e eu somos ambas integrantes da Comissão de Mulheres da FIA, projetada para encorajar mulheres e meninas no esporte a motor, um ambiente altamente competitivo para todos os participantes. Seus comentários depreciaram a qualidade do grid da Fórmula E e sua competitividade - disse Gade, que ainda "convidou" Jordá a não usar o nome da FIA para contradizer os ideais da comissão.

Outra que discordou frontalmente de Jordá foi a piloto Pippa Mann, que competiu nas últimas temporadas da Fórmula Indy e disputou seis edições das 500 Milhas de Indianápolis. Para a inglesa, as mulheres até hoje não conquistaram tantos resultados expressivos ou vagas nas principais categorias por questões culturais, e não físicas:

- Na minha opinião pessoal, de alguém que correu na Europa, e hoje corre nos Estados Unidos, a razão de termos mais sucesso aqui é a diferença cultural de que somos tratadas e vistas como competidoras, pela vasta maioria, dentro e fora da pista. No entanto a maior barreira que prende TODAS as corredoras talentosas, independentemente de gênero, é a dificuldades em conseguir patrocínio para continuar competindo. Ao contrário da crença popular, esse é um problema tão grande para as corredoras femininas como para nossos colegas masculinos.

Campeão mundial de Fórmula 1 de 2009, o inglês Jenson Button respondeu diretamente a Jordá pelo Twitter, lembrando o exemplo de Danica Patrick, primeira mulher a vencer na Fórmula Indy e a fazer pole position na Nascar. E no fim, questionou a capacidade técnica da espanhola:

Oh Carmen, você não está ajudando corredoras femininas com esse comentário. Pergunte a Danica Patrick sobre ser forte o suficiente para pilotar um carro de corrida! Ela poderia chutar meu traseiro na academia e ser tão forte quanto qualquer piloto de Fórmula 1 agora. Barreira física não é seu problema, Carmen.

Button ainda citou o exemplo da japonesa Juju Noda, que aos 12 anos de idade já pilota carros de Fórmula 3 e mira a Fórmula 1.

- Queria ser competente assim aos 12!

Outro campeão mundial britânico, Damon Hill entrou na discussão e lembrou de outros exemplos de mulheres bem sucedidas em atividades muito exigentes fisicamente.

- O problema não é o seu corpo. O problema é a mente. Alguém ouviu falar de Catherine Destiville (alpinista)? Força, bravura e nervos de aço. E Lizzy Arnold (bicampeã olímpica de inverno no skeleton)? Mikaela Shiffrin (esquiadora americana)?

Em meio à função na comissão feminina da FIA, Carmen Jordá testou recentemente um carro da Fórmula E no México, mas este ano não está competindo em nenhuma categoria. Sua indicação à FIA saiu por intermédio da federação espanhola, e recebeu muitas críticas à época.







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